Brasília, 13 de março de 2026 – A manutenção da prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, confirmada nesta sexta-feira (13) pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), aumentou as especulações sobre uma possível colaboração premiada. Especialistas, porém, alertam que qualquer acordo dependerá da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio STF, instâncias que podem restringir ou até bloquear a delação.
STF decide primeiro – e pode impor sigilo
Embora o relator André Mendonça tenha obtido maioria para manter Vorcaro detido, a homologação de uma futura delação exigirá o aval dos demais ministros da Segunda Turma. O tribunal tem prerrogativa de impor sigilo, invalidar trechos considerados frágeis ou simplesmente não chancelar o acordo, o que reduziria o alcance das informações fornecidas.
PGR pode negociar, recusar ou limitar
Em regra, colaborações são costuradas com o Ministério Público Federal; neste caso, a competência recai sobre a PGR porque o inquérito tramita no STF e envolve autoridades com foro privilegiado. O procurador-geral Paulo Gonet, que se opôs à operação de 4 de março que levou Vorcaro de volta à cadeia, pode:
- recusar a negociação, sob argumento de falta de provas;
- aceitar, porém restringir os fatos abrangidos;
- filtrar informações caso o acordo seja fechado diretamente com a Polícia Federal, apresentando à Corte apenas o que considerar relevante.
Defesa troca de advogado
No mesmo dia da decisão, José Luís Mendes de Oliveira Lima assumiu a defesa do banqueiro, substituindo Pierpaolo Bottini. Lima participou de colaborações como a de Léo Pinheiro, da OAS, e já defendeu nomes como José Dirceu e Walter Braga Netto.
Manutenção da prisão aumenta pressão
A votação desta sexta-feira consolidou o entendimento de Mendonça, acompanhado por Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, pela continuidade da prisão de Vorcaro, do cunhado Fabiano Zettel e do ex-policial Marilson Roseno, além da suspensão de quatro empresas ligadas ao grupo. O prolongamento do cárcere é visto como incentivo para que o investigado negocie benefícios em troca de informações.
Ministros e procurador na linha de frente
Nos bastidores, avalia-se que eventuais menções a integrantes do STF – a exemplo de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, citados em relatórios policiais – e a presença de Gonet em lista de convidados para um evento patrocinado por Vorcaro, criam obstáculos adicionais. Qualquer investigação sobre ministros depende de pedido da PGR e autorização do próprio Supremo.
Caminhos possíveis
Se a PGR não aderir à delação, Vorcaro poderá procurar a Polícia Federal. Mesmo assim, o acordo ainda precisará do crivo da Corte, o que, para analistas, pode desestimular a colaboração diante da incerteza sobre benefícios concretos.
Até o momento, não há confirmação oficial de negociações formais, mas interlocutores do empresário sondam as autoridades sobre essa possibilidade.
Com informações de Gazeta do Povo