Brasília – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento do pedido que solicitava a abertura de investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por suposta atuação em favor do Banco Master.
A decisão, assinada em 27 de dezembro de 2025, conclui que o contrato firmado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master “não revela qualquer indício de ilicitude”. O despacho foi revelado pelo portal Metrópoles; a Procuradoria-Geral da República (PGR) não comentou o caso, alegando sigilo do procedimento.
O pedido arquivado foi apresentado pelo advogado Enio Martins Murad, que apontou possível tráfico de influência e violação a princípios da administração pública. Murad sustentou que Moraes teria buscado interferir junto ao Banco Central (BC) em favor da instituição financeira.
Contrato de R$ 129 milhões
Durante a Operação Compliance Zero, a Polícia Federal localizou o contrato, no valor de R$ 129 milhões, válido por três anos, para que o escritório de Viviane de Moraes representasse o Master perante Banco Central, Receita Federal, Congresso Nacional e outros órgãos.
No despacho, Gonet destacou que a PGR “não tem atribuição para avaliar a regularidade de negócios entre particulares, ainda mais quando amparados pela atividade liberal da advocacia”. Para o procurador-geral, as notícias citadas na representação “não possuem densidade suficiente” para justificar investigação.
Suposta intermediação junto ao Banco Central
Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a possível compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O ministro, porém, negou ingerência e afirmou que a conversa tratou apenas de efeitos da Lei Magnitsky.
Outros pedidos arquivados
Em abril, o mesmo advogado solicitou investigação contra Moraes por uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para assistir à final do Campeonato Paulista; a PGR também arquivou a demanda.
Com o novo despacho, não há, até o momento, qualquer apuração aberta contra o ministro no âmbito da Procuradoria-Geral da República relacionada ao Banco Master.
Com informações de Gazeta do Povo