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PF prende Vorcaro, bloqueia R$ 2,2 bi e acirra expectativa por delações em Brasília

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Brasília – 04.mar.2026 – A terceira etapa da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Campos Zettel e de outros dois investigados. A ofensiva também determinou o bloqueio de bens que somam mais de R$ 2,2 bilhões, além de buscas, apreensão de eletrônicos e suspensão de atividades de empresas ligadas ao grupo.

Alvos sem foro especial

Apesar de o inquérito tramitar no STF desde novembro de 2025, nenhum dos atingidos pela nova fase possui prerrogativa de foro. A ausência de autoridades públicas entre os investigados provocou questionamentos de parlamentares que integram a CPI do Crime Organizado, criada para apurar o escândalo envolvendo o Banco Master.

Analistas ouvidos pela reportagem apontam contradição: se não há políticos ou magistrados na lista de investigados, o processo não deveria permanecer na Suprema Corte. Para eles, a investigação ainda pode atingir “peixes grandes” caso surjam colaborações premiadas.

Prisões no dia do depoimento à CPI

A deflagração ocorreu no mesmo dia em que Vorcaro e Zettel deveriam depor à CPI. Ambos tinham habeas corpus de Mendonça que lhes garantia o direito de permanecer em silêncio. Especialistas enxergam na coincidência um “recado” de que, mesmo protegidos no Legislativo, os investigados não escaparão das medidas judiciais.

Estrutura em quatro núcleos

Relatórios da PF descrevem uma organização dividida em núcleos financeiro, de corrupção, de lavagem de dinheiro e de intimidação. Entre as suspeitas estão monitoramento ilegal de autoridades, jornalistas e críticos, além de acessos irregulares a sistemas restritos de órgãos de controle.

Medidas adicionais

Dois ex-servidores do Banco Central receberam tornozeleiras eletrônicas e foram afastados das funções públicas. Empresas apontadas como veículos de contratos fictícios tiveram as atividades suspensas.

Bloqueios e avanço da perícia

O bloqueio bilionário afeta 15 pessoas físicas ligadas ao núcleo familiar de Vorcaro, inclusive o pai do banqueiro. Investigadores afirmam que apenas um terço dos celulares apreendidos foi periciado, indicando possibilidade de novas etapas da operação.

Pressão por colaboração

Juristas avaliam que a combinação de prisão preventiva prolongada, perdas financeiras expressivas e o avanço na análise de provas eleva a probabilidade de acordos de delação. Caso Vorcaro opte por colaborar, nomes até agora preservados podem emergir, aumentando a tensão nos Três Poderes.

Defesas negam acusações

A defesa de Daniel Vorcaro “nega categoricamente” os crimes atribuídos ao empresário, sustenta que mensagens usadas como prova foram “tiradas de contexto” e afirma confiar no devido processo legal. Representantes de Fabiano Zettel destacam que ele se apresentou espontaneamente, mesmo sem acesso prévio ao teor integral da investigação.

As apurações continuam sob sigilo no STF, e novas diligências não estão descartadas.

Com informações de Gazeta do Povo