Brasília – A Polícia Federal analisa uma minuta de contrato no valor de R$ 50 milhões encontrada em endereços ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero. O documento previa a contratação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A suspeita surgiu porque o montante coincide exatamente com a quantia ainda pendente de um acordo anterior de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master, então controlado por Vorcaro, e o mesmo escritório de advocacia.
Como o rascunho foi localizado
O rascunho, datado de agosto de 2025, foi recolhido durante buscas realizadas pela PF. Investigadores ressaltam que o documento não identifica qual empresa do grupo de Vorcaro assinaria o contrato nem descreve quais serviços jurídicos seriam prestados.
Posicionamento do escritório
Em nota, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados afirmou que o contrato de R$ 50 milhões nunca foi efetivado, não houve prestação de serviços e nenhum valor foi recebido. Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro não comentaram o conteúdo da investigação.
Relação com o acordo anterior
Dados da Receita Federal indicam que, do contrato original de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório, cerca de R$ 80 milhões foram pagos até novembro de 2025, quando os repasses foram interrompidos após a prisão de Vorcaro e a liquidação da instituição financeira. Restavam aproximadamente R$ 50 milhões a quitar, valor idêntico ao da nova minuta.
Situação de Vorcaro e do ministro
Vorcaro tentou negociar um acordo de delação premiada, mencionando o rascunho de forma superficial, mas a proposta foi rejeitada por falta de provas e detalhes. Segundo a Polícia Federal, não há indícios de que Alexandre de Moraes, sua esposa ou o escritório sejam, até agora, alvo direto das investigações; o foco recai sobre as movimentações financeiras do ex-banqueiro.
As apurações da Operação Compliance Zero continuam sem prazo definido para conclusão.
Com informações de Gazeta do Povo