Brasília – A Polícia Federal (PF) intensificou, nesta semana, as investigações para identificar todos os integrantes de um núcleo de hackers conhecido como “Os Meninos”, apontado como braço de inteligência cibernética de uma organização liderada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
Como o grupo atuava
De acordo com relatórios policiais, “Os Meninos” invadiam sistematicamente bancos de dados sigilosos de órgãos como Ministério Público Federal, Poder Judiciário, Polícia Federal e até a Interpol. As informações obtidas eram repassadas a outro setor da organização, apelidado de “A Turma”, responsável por ações de campo e intimidação de alvos.
Estrutura profissionalizada
Interceptações telefônicas e troca de mensagens indicam que a operação mantinha uma folha de pagamento de cerca de R$ 1 milhão por mês. Cada hacker recebia aproximadamente R$ 75 mil mensais, valores quitados por empresas que serviam para dar aparência legal às transações.
Flagrante durante Operação Compliance Zero
Na terceira fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Rodoviária Federal abordou um veículo onde estavam dois suspeitos de integrar o grupo. Dentro do carro, agentes encontraram computadores, malas e caixas, material que reforçou a suspeita de que os investigados monitoravam autoridades e sistemas reservados.
Prisão de Vorcaro mantida
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, manteve a prisão preventiva de Daniel Vorcaro. Para o magistrado, a existência de uma estrutura coordenada capaz de invadir bases de dados restritas representa risco atual à ordem pública. O relator também citou indícios de que influenciadores teriam sido cooptados pelo grupo para atacar instituições como o Banco Central.
A apuração segue em sigilo, e a PF trabalha para concluir a identificação de todos os suspeitos e rastrear o fluxo financeiro que sustentava as operações dos hackers.
Com informações de Gazeta do Povo