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Polícia Federal descobre minuta do TCU em celular de Daniel Vorcaro que visava suspender decisões do Banco Central sobre o Banco Master

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A Polícia Federal localizou no telefone celular do banqueiro preso Daniel Vorcaro uma minuta de despacho do Tribunal de Contas da União (TCU) que previa parar, de imediato, qualquer deliberação do Banco Central (BC) relacionada ao Banco Master. O documento foi identificado entre mais de 12 mil arquivos extraídos do aparelho e despertou a atenção dos investigadores que atuam na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

De acordo com apuração publicada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (25) e confirmada pela Gazeta do Povo, duas versões do texto foram encontradas. Ambas foram batizadas como “TCU_mora_excessiva” e possuem data de criação em 29 de agosto de 2025, segundo os metadados. A minuta não traz assinatura ou indicação de autoria.

O conteúdo determinava não só a suspensão de decisões do BC envolvendo o Master, mas também a oitiva de servidores da autoridade monetária em até dez dias. Não há confirmação de que Vorcaro tenha enviado ou recebido o material de qualquer integrante do TCU. Na época, o ministro Jhonatan de Jesus relatava processos sobre o tema e já havia determinado auditoria para avaliar as circunstâncias da liquidação do banco.

A defesa de Vorcaro afirmou apenas que os fatos são alvo de investigação determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e que não comentaria detalhes obtidos em inquérito sigiloso. O TCU foi procurado pela reportagem e não respondeu até o fechamento desta edição.

Momento crítico para o Banco Master

Os metadados mostram que a elaboração da minuta coincidiu com o período em que o BC avaliava a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) e cobrava de Vorcaro medidas para sanar problemas de liquidez. Na mesma época, surgiram suspeitas sobre a transferência de carteiras de crédito supostamente fraudulentas ao BRB, avaliadas em R$ 12 bilhões.

Representantes do governo do Distrito Federal, ao tomar conhecimento das desconfianças, foram orientados pelo Ministério Público Federal a esperar a checagem da origem dos ativos. Mesmo assim, o próprio governo distrital acionou o TCU para acompanhar a operação e, dias depois, pediu a suspensão das decisões do BC — requerimento cuja redação foi considerada semelhante à minuta achada no celular do banqueiro.

No fim, o Banco Central vetou a compra do Master pelo BRB em 3 de setembro de 2025 e decretou a liquidação extrajudicial da instituição pouco mais de dois meses depois. Embora o despacho nunca tenha sido emitido oficialmente, investigadores veem o documento como indício de possível tentativa de interferir no processo.

Sigilo de auditorias derrubado pelo Senado

Nesta terça-feira (24), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado levantou o sigilo que o TCU havia imposto sobre auditorias relativas ao Banco Master, inclusive a que questionava a liquidação conduzida pelo BC. Com a decisão, senadores terão acesso integral aos relatórios.

A auditoria chegou a colocar a Corte de contas em rota de colisão com o BC e motivou discussões sobre eventual “desliquidação” do banco — possibilidade descartada após técnicos concluírem não haver irregularidades no processo conduzido pela autoridade monetária.

Com informações de Gazeta do Povo