Brasília – A Polícia Federal e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS analisam indícios de que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, tenha custeado passagens e hospedagem do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em Portugal.
Viagem a Aveiro em novembro de 2024
Depoimentos, mensagens e registros de viagem obtidos no inquérito sobre fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas apontam que Lulinha viajou em classe executiva para Portugal em novembro de 2024. As despesas teriam sido pagas por Antunes, que, segundo a investigação, levou o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Aveiro para conhecer métodos de produção de cannabis medicinal.
Interlocutores citados pela imprensa afirmam que Lulinha admite a viagem, mas nega ter firmado sociedade, recebido valores ou participado do esquema envolvendo o INSS.
Contrato de 2,5 milhões de euros
Documentos apreendidos pela PF indicam que Antunes assinou contrato para comprar um galpão em Portugal por mais de 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 15 milhões) para instalar o empreendimento de cannabis. Um sinal de 100 mil euros (pouco mais de R$ 600 mil) teria sido pago antes de sua prisão, em abril de 2025, durante a Operação Sem Desconto.
Quebra de sigilo e avanço das apurações
A PF requisitou em janeiro — e o ministro do STF André Mendonça autorizou — a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha. Na semana passada, a CPMI aprovou medida semelhante, ampliando o embate entre governistas e oposição.
Relatórios policiais mencionam Lulinha ao menos três vezes, inclusive como possível sócio oculto de Antunes. Investigadores, porém, ressaltam que não há prova de participação direta nos desvios e que as citações surgem por meio de terceiros.
Hipóteses sob análise
Os responsáveis pelas investigações tentam determinar se recursos desviados de beneficiários do INSS foram usados para financiar a viagem, a hospedagem e as tratativas comerciais em Portugal. Se confirmada a origem ilícita, essa vertente deverá ganhar prioridade.
Reações e próximos passos
A defesa de Lulinha sustenta que ele jamais atuou no INSS, não foi sócio de Antunes e não recebeu pagamentos. Caso seja convocado, o empresário pretende reiterar essa versão à CPMI. Já a defesa do lobista não comentou.
Parlamentares da oposição citam relatos sobre supostas “mesadas” de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, hipótese que a quebra de sigilos busca esclarecer. Governistas classificam a iniciativa como precipitada e avaliam contestar a votação que autorizou o acesso aos dados.
A PF espera concluir relatórios parciais ainda em março, após análise dos documentos bancários e fiscais já obtidos.
Com informações de Gazeta do Povo