Brasília – A Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça, novo relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para confrontar informações obtidas na investigação sobre a instituição financeira com elementos do inquérito que apura o desvio de recursos de aposentados e pensionistas do INSS.
O pedido foi apresentado na segunda-feira (23), durante reunião de cerca de duas horas entre Mendonça e delegados responsáveis pela Operação Compliance Zero, que mira a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Segundo fontes ouvidas sob reserva, o objetivo é identificar estruturas financeiras comuns, operadores recorrentes e eventuais fluxos de dinheiro compartilhados em fundos administrados pelo Master e abastecidos com descontos indevidos da Previdência.
Interligação de frentes investigativas
O Banco Master já aparece no escândalo do INSS, investigado na Operação Sem Desconto, também sob relatoria de Mendonça. Para os investigadores, cruzar as duas bases de dados é estratégico para mapear um possível ecossistema de fraudes interligadas, que pode ultrapassar R$ 6 bilhões em prejuízos a beneficiários.
Venda ao BRB perto do desfecho
A linha que apura a tentativa de venda do Master ao BRB entrou na fase final e deve gerar relatório até meados de março, com possíveis pedidos de indiciamento. A suspeita é que o banco brasiliense avaliaria a aquisição com base em ativos inflados artificialmente.
Influenciadores e fundos suspeitos
Outras frentes avançam em paralelo. Uma delas investiga a contratação de influenciadores digitais para criticar o Banco Central após a liquidação do Master, ocorrida em novembro de 2025. Outra analisa a utilização de fundos de investimento ligados à instituição para lavagem de dinheiro, hipótese que exige integração com informações da Operação Carbono Oculto.
Novo ritmo sob Mendonça
Ao assumir a relatoria, Mendonça restaurou o fluxo ordinário de perícias e ampliou o número de peritos autorizados a examinar cerca de cem dispositivos eletrônicos e milhares de documentos apreendidos. Ele concedeu 60 dias para a PF entregar novo relatório, indicando autoridades com foro privilegiado e orientando se o processo permanece no STF ou deve ser remetido à primeira instância.
No mesmo dia em que recebeu os investigadores, o ministro também se encontrou com a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro deveria depor à CPMI do INSS, mas foi liberado por decisão de Mendonça e, até o momento, não é formalmente investigado no caso. A defesa nega qualquer irregularidade.
Com a possibilidade de cruzamento de informações, delegados calculam de um a dois meses de trabalho adicional para consolidar provas e apresentar conclusões ao Supremo.
Com informações de Gazeta do Povo