O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pediu ao Congresso Nacional que evite confundir terrorismo com crime organizado durante a tramitação do PL Antifacção. A proposta, enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aprovada na Câmara na semana passada, aguarda análise do Senado.
Em entrevista à TV Band exibida no domingo (23), Rodrigues destacou que o combate ao terrorismo é atribuição exclusiva da PF e que uma eventual junção dos dois temas na legislação dificultaria investigações. “O que nós não podemos é confundir uma coisa com a outra. São fins diferentes, propósitos diferentes e mecanismos de enfrentamento distintos. Qualquer mistura só traria prejuízo para a investigação”, afirmou.
Defesa da PEC da Segurança
O dirigente endossou ainda a PEC da Segurança, que prevê maior integração entre União e estados contra o crime organizado sem retirar competências dos governadores. Segundo ele, a criminalidade “não é mais local, não é mais regional, é transnacional”, exigindo cooperação e garantia orçamentária. “Segurança pública é cara, isso precisa ser dito”, completou.
Rodrigues citou que a emenda constitucional pode dar base jurídica para troca de informações, citando como exemplo boletins de ocorrência estaduais que “hoje não dialogam”.
Críticas à operação no Rio de Janeiro
O diretor-geral voltou a criticar a megaoperação policial no Rio de Janeiro, realizada no fim de outubro, que resultou em 121 mortos — entre eles quatro policiais. Para ele, ações pontuais sem coordenação representam “esforços de enxugar gelo”.
Estrutura da PF e necessidade de recursos
Rodrigues lembrou que a PF conta com pouco menos de 13 mil policiais e cerca de 2 mil servidores administrativos, efetivo considerado insuficiente para enfrentar facções sozinho. Ele defendeu investimento em tecnologia, inteligência e medidas de descapitalização das organizações criminosas, além do aumento de indiciamentos e operações qualificadas.
O diretor concluiu que a política de segurança pública deve ir além de “mais pessoal, mais armas e mais viaturas”, priorizando inovação e articulação entre forças de segurança.
Com informações de Gazeta do Povo