Brasília — O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afirmou ter se arrependido de assumir a relatoria do projeto que trata da revisão das penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. A declaração foi feita em entrevista publicada nesta quinta-feira, 23 de outubro de 2025, pelo portal UOL.
Escolhido relator em 18 de setembro, Paulinho pretendia destravar o debate sobre anistia no Congresso, mas acabou apresentando uma proposta alternativa, batizada de PL da Dosimetria, após sinalização de resistência no Senado por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Desde então, o parlamentar vem sofrendo pressão tanto da base governista quanto da oposição. Ele diz ter “o texto todo pronto na cabeça” e que bastariam “20 minutos do tempo de um bom jurista” para colocá-lo no papel, mas não encontrou apoio suficiente para avançar.
Proposta intermediária
O plano de Paulinho prevê reduzir as penas dos condenados — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — sem conceder perdão total. Mesmo com a diminuição sugerida, Bolsonaro continuaria com pena superior a 20 anos.
A estratégia desagradou a direita, que exige anistia ampla, geral e irrestrita, e enfrenta resistência da esquerda, que não aceita aliviar punições. “Acho que vamos ter que fazer algo pelo meio, que talvez não agrade nem à extrema direita nem à extrema esquerda, mas à maioria da Câmara”, disse o deputado em setembro.
Críticas no plenário
Para oposicionistas, a mudança de anistia para dosimetria é “maquiagem jurídica”. O vice-líder da oposição, Ubiratan Sanderson (PL-RS), declarou em plenário que o relatório é “um embuste” e que pretende votar contra. Segundo ele, a dosimetria deveria ser tarefa exclusiva do Judiciário e não do Legislativo.
Sem consenso e isolado politicamente, Paulinho reconheceu que, se pudesse voltar atrás, não aceitaria a relatoria. “Hoje, eu não aceitaria”, afirmou ao UOL.
Com informações de Gazeta do Povo