Brasília — 10/01/2026 – Recém-criado e de olho no Palácio do Planalto em 2026, o Partido Missão quer aplicar contra o crime organizado a mesma linha dura que o ministro Alexandre de Moraes utiliza nos inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta é defendida pelo pré-candidato à Presidência Renan Santos, 41 anos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente da nova sigla.
Três eixos centrais
Em entrevista, Santos resumiu o programa do partido em três grandes reformas:
• Guerra às facções – uso dos princípios do “direito penal do inimigo” para tratar integrantes de grupos como Comando Vermelho e PCC, com punições rápidas e rígidas.
• Corte no “toma lá, dá cá” – combate à compra de votos por meio de emendas, fundo partidário e fundo eleitoral, atrelando repasses a indicadores de gestão municipal e estadual.
• Ajuste fiscal severo – medidas de contenção de gastos que não poupam programas sociais, sob o argumento de evitar o colapso das contas públicas previsto para 2027.
“Direito penal do inimigo”
Santos afirma que o STF já aplica a lógica do inimigo contra militantes bolsonaristas e que a mesma ferramenta pode ser direcionada às facções. “Se formos eleitos, sentaremos com Congresso e Supremo para aprovar nova legislação. O alvo será quem financia, vende ou trafica”, declarou.
O pré-candidato diz que a estratégia incluirá critérios legais claros para o Ministério Público, veto à propaganda de facções e punição exemplar a organizações que recebam recursos e colaborem com o crime.
Ruptura geracional
O dirigente do Missão quer colocar a geração nascida após 1980 no comando do país. Inspirado por autores como Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda, ele defende a criação de uma “elite intelectual” capaz de irradiar ideias à política.
Distância do bolsonarismo
Santos critica o que chama de “conservadorismo performático” do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a narrativa baseada em “Deus, pátria, família e liberdade” se tornou peça de marketing nas redes sociais. “Não queremos fingidores”, resumiu.
Choque nas emendas e fundos partidários
Para reduzir a influência do Centrão, o Missão pretende propor uma PEC que condicione o envio de emendas parlamentares e de recursos dos fundos públicos ao desempenho de prefeitos e governadores em educação, saúde e segurança.
Ajuste fiscal duro
Prevendo “quebra” das contas públicas a partir de 2027, o partido promete “super reforma” administrativa e redução de despesas. Santos admite que parte do eleitorado pobre, beneficiado por programas sociais, pode não aderir à proposta, mas acredita ser possível vencer sem esses votos.
Modelos latino-americanos
O Missão cita o presidente salvadorenho Nayib Bukele como referência na segurança pública e o argentino Javier Milei nas políticas econômicas liberais.
Com registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro, a legenda corre para estruturar candidaturas e consolidar a plataforma até as convenções de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo