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Parlamentares intensificam ofensiva para apurar Banco Master em CPMI do INSS e CPI do Crime Organizado

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Parlamentares articulam investigações paralelas sobre o Banco Master nas duas principais comissões em atividade no Congresso: a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no INSS e a CPI do Crime Organizado. O movimento ocorre após a direção das Casas Legislativas resistir à abertura de uma comissão exclusiva e diante das restrições impostas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao acesso de documentos sigilosos já coletados pela Polícia Federal.

Convocações na CPMI do INSS

Membros da CPMI pretendem chamar para depor diretores do Banco Master e parentes do controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Requerimentos apresentados pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pedem a presença de um superintendente, dois diretores e um sócio do banco. Outro pedido – já aprovado – inclui o próprio Vorcaro, embora ainda não haja garantia de comparecimento, pois decisões anteriores do STF permitiram a ausência de outros depoentes.

A expectativa da comissão é intensificar as convocações a partir de fevereiro, quando o Congresso retoma as atividades.

Dados sigilosos retidos no STF

No início de dezembro, Toffoli determinou que os documentos obtidos com quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro ficassem sob a guarda da Presidência do Senado até decisão definitiva do STF. Apesar de manter a validade das quebras, a medida esvaziou uma das principais frentes de investigação da CPMI.

Senadores e deputados de oposição enviaram pedido ao ministro André Mendonça – relator no STF das ações sobre empréstimos consignados fraudulentos – para liberar o acesso aos dados e compartilhar provas coletadas pela Polícia Federal. Entre os signatários estão o relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Eduardo Girão (Novo-CE), além dos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Luiz Lima (Novo-RJ).

Vínculo com fraudes em consignados

O Banco Master é investigado por sua participação em empréstimos consignados a beneficiários do INSS. Entre outubro de 2021 e setembro de 2025, a instituição firmou 338,6 mil contratos; segundo as apurações, 74,3% (cerca de 252 mil) não foram apresentados para conferência. A Polícia Federal já bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens na última fase da operação que mira o banco e seus executivos.

CPI do Crime Organizado amplia escopo

No Senado, a CPI do Crime Organizado avalia incluir o Master em seu cronograma. O relator, senador Alessandro Vieira, quer dividir os trabalhos por eixos, entre eles crimes financeiros e lavagem de dinheiro, o que daria respaldo para investigar a instituição.

Busca por CPI exclusiva

Parlamentares também recolhem assinaturas para comissões específicas. Proposta do senador Eduardo Girão já recebeu 42 apoios – 15 a mais que o mínimo necessário para instalação de uma CPI no Senado. Na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) obteve as assinaturas exigidas para uma CPMI, enquanto o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirma ter reunido 171 apoios para uma CPI exclusiva.

Novo pacote de requerimentos

Integrantes da CPMI do INSS confirmaram que, após o recesso, devem apresentar mais requerimentos para ouvir dirigentes do banco e pessoas próximas a Vorcaro. O relator Alfredo Gaspar declarou que seguirá o critério de convocar presidentes de instituições financeiras citadas em reclamações de consignados e, se necessário, ampliar o leque de depoentes. O deputado Zé Medeiros (PL-MT) reforçou que, mesmo sem acesso aos sigilos, o colegiado pode avançar com oitivas e cruzamento de informações.

Denúncias iniciais

O envolvimento do Master foi revelado à CPMI em 1.º de setembro de 2025 pelo advogado Eli Cohen, que apontou a participação de um ex-diretor do banco – apelidado de “Papa dos Consignados” – em fraudes que incluíam falsificação de contratos e depósitos inferiores aos valores contratados. O mesmo diretor teria adotado práticas semelhantes quando atuou no banco BMG.

A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o empresário “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”. Até a publicação desta reportagem, o Banco Master não enviou posicionamento.

Com informações de Gazeta do Povo