Brasília — 22 jan. 2026 — Parlamentares de oposição protocolaram novos pedidos de impeachment, suspeição e investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, após surgirem indícios de possíveis conflitos de interesse envolvendo o Banco Master e o Tayayá Resort, no interior do Paraná.
Impeachment no Senado
Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram nesta quinta-feira (22) aditamento a um requerimento de impeachment entregue no dia anterior ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O documento acusa Toffoli de crimes de responsabilidade na condução de inquéritos sobre supostas fraudes no Banco Master e acrescenta elementos relativos ao resort que pertenceu a dois irmãos do ministro até fevereiro de 2025.
Representação na PGR
Em 14 de janeiro, Girão também acionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que avalie se o magistrado deve ser afastado da relatoria do caso Master. O senador questiona, entre outros pontos, decisão de Toffoli que manteve lacrados materiais apreendidos pela Polícia Federal. O ministro recuou parcialmente e determinou que os itens fiquem sob custódia da PGR.
Pedidos na Câmara e no CNJ
Na Câmara, a deputada Carol De Toni (PL-SC), com apoio de Carlos Jordy (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP), solicitou à PGR que declare o impedimento de Toffoli em processos relacionados ao banco. Já o deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) protocolou requerimentos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na própria PGR para abertura de investigações, citando “fortes indícios de participação econômica indireta” do ministro no empreendimento paranaense.
Resort e cassino no foco
Reportagem do portal Metrópoles publicada na quarta-feira (21) mostrou que o Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), opera um cassino com 14 máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer. Funcionários teriam se referido ao local como “o resort do Toffoli”, embora a propriedade tenha sido vendida a um advogado ligado ao grupo J&F. O complexo foi erguido por José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Toffoli, irmãos do ministro, com participação de um fundo de investimentos associado ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Os parlamentares afirmam que as novas informações reforçam a necessidade de apurar se o magistrado deveria permanecer à frente do inquérito sobre o banco. “Podemos dizer que ou o Toffoli pede para sair ou as autoridades têm o dever de tirá-lo”, declarou Girão, que se encontra em missão oficial nos Estados Unidos.
Trâmite depende de Gonet e Alcolumbre
O prosseguimento dos pedidos depende da aceitação do procurador-geral Paulo Gonet e do presidente do Congresso Davi Alcolumbre. Até o momento, o ministro do STF não se manifestou publicamente, mas, segundo assessores, pretende manter a relatoria do caso Master.
Enquanto isso, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, cobrou esclarecimentos sobre a real titularidade do resort e defendeu o afastamento do magistrado. “O ministro deve satisfação ao país”, afirmou.
Os jogos de azar são proibidos no Brasil, mas o STF já admitiu a exploração de “videoloterias” pelos estados. Toffoli votou a favor da flexibilização. Questionamentos sobre o funcionamento do cassino, inclusive a presença de crianças, foram negados pelo atual proprietário, que diz ofertar apenas atividades permitidas.
Sem prazo definido para análise, os pedidos de impeachment, suspeição e investigação deverão ser examinados nas próximas semanas pelo Senado, PGR e CNJ.
Com informações de Gazeta do Povo