Deputados de oposição protocolaram nesta quinta-feira (19 mar. 2026) um ofício no Palácio do Planalto pedindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhe ao Senado a demissão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por alegada omissão nas investigações envolvendo o liquidado Banco Master e a relação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O documento é assinado pelos parlamentares Caroline de Toni (PL-SC) e Gustavo Gayer (PL-GO). Eles sustentam que Gonet não tem atuado de forma “adequada e tempestiva” em apurações que citam os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Para os deputados, a conduta do chefe do Ministério Público Federal configuraria descumprimento de deveres constitucionais.
Base constitucional do pedido
Os oposicionistas invocam o artigo 128 da Constituição, que autoriza o presidente da República a solicitar ao Senado a exoneração do procurador-geral. A medida exige aprovação da maioria absoluta dos senadores e, desde a redemocratização, nunca foi adotada.
Pontos de suposta omissão
No ofício, os parlamentares citam a decisão de Gonet de arquivar representações que questionavam a eventual suspeição de Dias Toffoli no caso Master. O ministro foi sócio de dois irmãos que venderam cotas de um resort no interior do Paraná a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
O texto também menciona a falta de manifestação da PGR sobre indícios envolvendo Alexandre de Moraes, que teria mantido contato telefônico frequente com Vorcaro, inclusive no dia em que o banqueiro foi preso ao tentar deixar o país, em novembro do ano passado. Outro ponto levantado é um contrato de R$ 129 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes.
Cresce a pressão sobre Gonet
A pressão aumentou após críticas públicas do ministro André Mendonça, relator do processo do Banco Master no STF. Ele classificou como “lamentável” o pedido de prazo adicional feito pela PGR para analisar centenas de páginas de documentos, apontando possível risco às vítimas e à celeridade da Justiça.
Em resposta, Paulo Gonet afirmou que a extensão do material justificava o tempo extra solicitado.
Com informações de Gazeta do Povo