Nações Unidas, 24 fev. 2026 – A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta terça-feira (24) a resolução “Apoio a uma paz duradoura na Ucrânia”, apesar das abstenções de Brasil e Estados Unidos. O texto, sem caráter jurídico, mas de peso político, recebeu 107 votos favoráveis, 12 contrários e 51 abstenções.
Proposta pela Ucrânia e apoiada por mais de 45 países, a medida exige cessar-fogo imediato, completo e incondicional, reafirma a soberania e a integridade territorial ucranianas e solicita a troca total de prisioneiros de guerra, a libertação de detentos mantidos ilegalmente e o retorno de civis – inclusive crianças – transferidos à força para a Rússia.
A votação ocorreu em sessão especial de emergência da Assembleia Geral, convocada porque o Conselho de Segurança continua bloqueado pelo poder de veto russo. Moscou votou contra a resolução.
Quarto ano de conflito
O debate coincidiu com o início do quarto ano da invasão russa. Autoridades da ONU estimam que a reconstrução da Ucrânia custará cerca de US$ 588 bilhões na próxima década, montante equivalente a três vezes o PIB do país no último ano.
Repercussão no Senado brasileiro
No Brasil, a abstenção gerou críticas de parlamentares durante reunião da Frente Parlamentar Brasil-Ucrânia. Os senadores Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Damares Alves (Republicanos-DF), Flávio Arns (PSB-PR) e Sérgio Moro (União-PR) classificaram o posicionamento do governo como “vergonhoso”.
Damares Alves afirmou que a decisão “não reflete o desejo da sociedade brasileira” e cobrou mais empenho no resgate de cerca de 19 mil crianças ucranianas levadas à força para a Rússia. Mourão disse que o Brasil “não pode se omitir” e deve escolher “o lado da liberdade e da justiça”. Arns e Moro endossaram as críticas, defendendo uma postura clara contra a invasão.
Representantes de comunidades ucranianas também manifestaram descontentamento. Vitório Sorotiuk, vice-presidente do Congresso Mundial de Ucranianos no Brasil, lembrou promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de visitar Kyiv caso fosse a Moscou e pediu audiência com o Executivo.
Com informações de Gazeta do Povo