Brasília – A troca de advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do liquidado Banco Master e preso há cerca de dez dias na Penitenciária Federal de Segurança Máxima da capital, reorganizou o tabuleiro jurídico do caso. Na sexta-feira (13), o criminalista José Luís de Oliveira Lima assumiu a defesa, substituindo Pierpaolo Bottini, no mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, por maioria, a prisão preventiva do empresário.
Nessa mesma noite, Oliveira Lima visitou o cliente no presídio para discutir os próximos passos. Investigadores interpretam a chegada do novo defensor como forte indicativo de que a estratégia pode avançar para uma colaboração premiada, tema que já circulava nos bastidores.
Perfil do novo advogado
Conhecido no meio jurídico como “Juca”, Oliveira Lima soma mais de três décadas na advocacia criminal. Ganhou projeção nacional ao defender o ex-ministro José Dirceu no julgamento do Mensalão, em 2012, e o general Walter Braga Netto no processo sobre tentativa de golpe de Estado que resultou em condenação de 26 anos. O advogado também atuou em casos da operação Lava Jato e mantém carteira de clientes de alto impacto político-econômico.
Sócio do escritório Oliveira Lima & DallAcqua Advogados, o criminalista já presidiu a Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-SP, a Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo e integrou a diretoria da AASP. Seu nome figurou duas vezes na lista dos 100 brasileiros mais influentes da revista Época.
Contraste de estratégias
Enquanto Bottini é reconhecido por postura crítica a delações sem garantias claras, Oliveira Lima tem histórico de negociações diretas com o Ministério Público e o Judiciário. A mudança de comando também evita eventuais conflitos de interesse, caso futuros depoimentos citem pessoas ligadas à equipe anterior.
Tensão no presídio
A decisão do STF desencadeou um episódio de descontrole de Vorcaro dentro da unidade prisional. Fontes próximas relataram que o banqueiro bateu repetidamente nas grades e citou nomes de autoridades e empresários com quem manteve relação, precisando de atendimento médico no local. O quadro é classificado como “extremamente delicado” por integrantes da defesa.
Próximos passos
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República acompanham de perto a possibilidade de acordo. Vorcaro, que transita há anos entre políticos, servidores e empresários de diferentes correntes, poderia ampliar o alcance das investigações. Até o momento, contudo, não há confirmação oficial de tratativas formais com a PGR.
A visita de Oliveira Lima na noite de sexta-feira serviu para avaliar, ao lado do cliente, os caminhos jurídicos após a manutenção da prisão. A defesa segue revisando a estratégia à luz da decisão do Supremo.
Com informações de Gazeta do Povo