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Nikolas Ferreira alerta para risco de morte de Bolsonaro caso ele deixe a prisão domiciliar

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Brasília — O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro na tarde desta sexta-feira, 21 de novembro de 2025, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde o ex-chefe do Executivo cumpre prisão domiciliar. Ao deixar o local, o parlamentar afirmou temer que Bolsonaro “não permaneça vivo” caso seja transferido para um presídio.

“Ele está com uma crise forte de soluço e praticamente não dormiu esta noite. Se for para a cadeia, terá dificuldade de permanecer vivo”, disse o deputado a repórteres na entrada do condomínio.

Nikolas voltou a classificar a situação do ex-presidente como “prisão política” e sustentou que a eventual morte de Bolsonaro seria o “objetivo oculto” de seus adversários. O parlamentar contou ter se reunido com os filhos Carlos e Flávio Bolsonaro e levado doces mineiros para o almoço em família.

Pedido de prisão domiciliar humanitária

No mesmo dia, a defesa de Jair Bolsonaro protocolou no Supremo Tribunal Federal pedido para manutenção da prisão domiciliar com base no artigo 318, II, do Código de Processo Penal, alegando razões humanitárias. O documento lista uma série de enfermidades:

  • Idade: 70 anos (nascido em 21/03/1955);
  • Sequelas da facada de 2018: traumatismo abdominal, múltiplas cirurgias — inclusive laparotomia de urgência em abril de 2025 — e risco de obstrução intestinal súbita;
  • Doenças gastrointestinais: doença do refluxo gastroesofágico com esofagite (CID-10 K21.0) e gastrite;
  • Quadro pulmonar: pneumonia bacteriana recorrente/aspirativa (CID-10 J15.9), alterações parenquimatosas, sinais de congestão pulmonar e pequeno derrame pleural;
  • Soluços incoercíveis: CID-10 R06.6, com necessidade de ajuste diário de medicamentos, episódios de falta de ar e desmaios;
  • Doenças cardiovasculares: hipertensão essencial (CID-10 I10), doença aterosclerótica coronariana (CID-10 I25.1) e estenose de carótidas (CID-10 I65.2);
  • Apneia do sono grave: CID-10 G47.3, índice de apneia-hipopneia de 85/hora e dessaturação de oxigênio a 78%, exigindo uso contínuo de CPAP;
  • Neoplasia cutânea: carcinoma de células escamosas in situ (CID-10 C44.9) diagnosticado em setembro de 2025, com ceratose actínica nas margens cirúrgicas.

Os advogados sustentam que o conjunto de condições configura “quadro de alta complexidade, com risco cardiovascular, pulmonar e infeccioso elevados”, impossíveis de ser geridos em ambiente prisional comum. O pedido cita como precedente a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor, então com 75 anos e acometido por Doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.

Condenação de 27 anos

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de reclusão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O prazo para apresentação de recursos ainda está aberto, mas aliados consideram iminente o trânsito em julgado e uma possível transferência do ex-presidente para o sistema penitenciário.

Com informações de Gazeta do Povo