Brasília — 28 de agosto de 2025. A defensora pública Patrícia Bettin informou, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que o Ministério Público Federal (MPF) encerrou em julho o Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) criado para investigar descontos ilegais em benefícios do INSS, sem apresentar justificativa.
Grupo atuava desde fevereiro de 2024
Formado em fevereiro de 2024, o GTI reunia representantes do MPF, da Defensoria Pública da União (DPU), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), da Advocacia-Geral da União (AGU), do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU), do Ministério Público da Previdência Social e do Ministério do Desenvolvimento Social.
Segundo Bettin, a missão do grupo era apurar descontos associativos irregulares e empréstimos consignados contratados sem autorização de aposentados e pensionistas. “Não houve explicação; apenas fomos comunicados de que o GTI seria extinto”, disse a defensora aos parlamentares.
Parlamentares questionam decisão
O deputado Marcel van Hatten (Novo-RS) quis saber se havia prazo para o término dos trabalhos. Bettin respondeu que não existia data prevista para a conclusão. O fim do GTI ocorreu enquanto a Operação Sem Desconto avançava nas investigações, circunstância que provocou novas perguntas de integrantes da CPMI.
Procurado para comentar a decisão, o MPF não enviou resposta até a publicação desta matéria.

Imagem: Andressa Anholete
Falta de conhecimento dos beneficiários
Questionada pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Bettin relatou que a maioria dos beneficiários não sabia da existência dos serviços oferecidos pelas associações responsáveis pelos descontos. “Normalmente oferecem assistência jurídica, plano odontológico ou academia, mas os segurados desconheciam esses serviços”, afirmou.
A defensora acrescentou ter identificado que, em muitos casos, falsificações de empréstimos consignados surgiam junto aos descontos associativos. As constatações foram apresentadas pelo GTI ao TCU, à CGU e aos demais órgãos participantes.
Com informações de Gazeta do Povo