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Motta recoloca em pauta voto distrital misto e mira implantação em 2030

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Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que pretende retomar neste ano a discussão sobre a adoção do voto distrital misto nas eleições brasileiras. A proposta, que altera a forma de escolha de deputados federais, estaduais e vereadores, só poderia valer a partir de 2030, já que o prazo para mudanças nas regras de 2026 se encerrou.

O modelo em estudo concede dois votos ao eleitor: um para escolher o representante do distrito onde reside e outro para indicar o partido de sua preferência. Metade das cadeiras seria definida pelo resultado distrital majoritário e a outra metade pela votação nas legendas, obedecendo a ordem pré-estabelecida em lista apresentada pelos partidos.

Articulação interna

A movimentação é capitaneada por Motta e pelo relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça, deputado Domingos Neto (PSD-CE). Nos bastidores, o tema vem sendo debatido há pelo menos seis meses por dirigentes partidários como Gilberto Kassab (PSD), Marcos Pereira (Republicanos) e Antônio Rueda (União Brasil), siglas de forte presença regional no Centrão.

Segundo os defensores, o novo formato tende a privilegiar candidatos com base eleitoral orgânica e reduzir a dependência de grandes financiadores ou influenciadores digitais. “Vai contar o trabalho presencial, a prestação de contas e o vínculo com a comunidade”, afirmou Domingos Neto.

Alternativas em estudo

Além do distrital misto, Motta mencionou que a Câmara ainda analisa a adoção da lista fechada pura – em que o eleitor vota apenas no partido, e não em candidatos individuais. Para o parlamentar, ambos os caminhos podem ajudar a combater o financiamento ilícito de campanhas.

Como funciona hoje

Atualmente, deputados são eleitos pelo sistema proporcional de lista aberta. O eleitor escolhe um candidato ou partido; os votos se somam dentro da sigla e definem quantas cadeiras cada legenda conquista. Candidatos com mais votos individuais preenchem as vagas obtidas pelo partido, e excedentes podem eleger correligionários com votação menor.

Principais mudanças

No distrital misto, o estado é dividido em regiões menores – os distritos. O candidato mais votado em cada distrito garante a vaga. Já as cadeiras da parte proporcional são distribuídas conforme a votação no partido em todo o estado, seguindo a ordem da lista fechada montada pela própria sigla.

Riscos e vantagens apontados

Entre os benefícios citados por juristas, como o advogado eleitoral Roosevelt Arraes, estão a aproximação entre eleitor e eleito e a manutenção da representatividade partidária. Ele alerta, contudo, para o risco de “gerrymandering” – manipulação dos limites dos distritos para favorecer grupos políticos.

Entidades empresariais, a exemplo da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), argumentam que a mudança pode fortalecer a fiscalização do eleitor sobre o mandato, hoje enfraquecida pela fragmentação partidária.

Com a janela para reforma eleitoral de 2026 já fechada, Motta avalia que a discussão tende a avançar sem a resistência típica de anos eleitorais. A expectativa do presidente da Câmara é construir consenso até 2028, assegurando tempo hábil para que o novo sistema entre em vigor no pleito de 2030.

Com informações de Gazeta do Povo