Brasília – O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quinta-feira (14/08/2025) que a Corregedoria da Casa deverá finalizar “com muita firmeza” e antes do limite regimental de 45 dias a apuração contra 14 parlamentares da oposição que ocuparam a Mesa Diretora por quase dois dias na semana passada.
O grupo realizou o protesto para contestar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pressionar a inclusão, na pauta, do projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e da PEC que extingue o foro privilegiado. A ocupação foi encerrada após negociações controversas: oposicionistas afirmam ter feito acordo, enquanto Motta nega qualquer tratativa.
“Responsabilização firme”
Em entrevista à GloboNews, Motta disse esperar celeridade. “Antes desse prazo de 45 dias, a Corregedoria irá se manifestar e a Mesa tomará as providências cabíveis. Não podemos permitir que o que aconteceu volte a se repetir”, afirmou. Segundo ele, o procedimento seguirá o rito interno, sem exceções.
Pelo menos metade dos deputados denunciados já recebeu notificação da Corregedoria, que encaminhará relatório à Mesa Diretora para eventual punição. Motta reiterou que não aceitará “chantagem” para pautar matérias e que a pressão cria precedente indesejado.
Parlamentares investigados
Todos os 14 apontados pertencem a partidos de oposição:
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
- Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Tenente-coronel Zucco (PL-RS)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Allan Garcês (PP-MA)
- Pr. Marco Feliciano (PL-SP)
- Domingos Sávio (PL-MG)
- Marcel Van Hatten (Novo-RS)
- Julia Zanatta (PL-SC)
- Marcos Pollon (PL-MS)
- Zé Trovão (PL-SC)
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Carol De Toni (PL-SC)
- Paulo Bilynskyj (PL-SP)
Pautas em debate
Motta informou que está disposto a discutir o projeto de anistia, mas vê “muita preocupação” na PEC do foro privilegiado, pois acredita que o texto pode transmitir a impressão de busca por impunidade. Na reunião do Colégio de Líderes da última terça (12), o tema não entrou na previsão de votações.

Imagem: Marina Ramos via gazetadopovo.com.br
A oposição, por sua vez, anunciou nova estratégia de obstrução dentro dos limites regimentais, sem repetir a ocupação. Motta chegou a ameaçar suspensões de até seis meses a quem persistisse na obstrução total.
Na sexta-feira (8), após analisar imagens de segurança, o presidente oficializou as denúncias contra os deputados e pediu investigação ao corregedor.
O processo disciplinar corre internamente e poderá resultar em sanções como censura, suspensão ou até perda de mandato, a depender do entendimento da Mesa Diretora.
Com informações de Gazeta do Povo