Medidas adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vêm redesenhando o tabuleiro político do Maranhão desde 2024. Determinações do magistrado afastaram figuras centrais do governo Carlos Brandão e, na prática, favoreceram o grupo comandado pelo agora ministro do STF Flávio Dino, ex-governador do estado.
Quem perdeu o cargo
Moraes retirou do posto o ex-procurador-geral do Estado Valdênio Caminha, diretores de empresas estatais e parentes de Brandão lotados na Assembleia Legislativa. De acordo com o ministro, esses auxiliares descumpriram decisões judiciais e participaram de nepotismo cruzado — troca de favores para empregar parentes em órgãos distintos.
Nepotismo cruzado em foco
No entendimento do STF, o governo estadual e a Assembleia Legislativa mantinham um acordo informal: “eu nomeio o seu parente, você contrata o meu”. Essa prática é vedada pela súmula 13 do próprio Supremo, que proíbe o aproveitamento de familiares em cargos de confiança entre administrações que possuam influência recíproca.
Jornalista sob investigação
O repórter Luís Pablo teve residência e local de trabalho vasculhados pela Polícia Federal mediante autorização de Moraes. Ele havia publicado reportagens afirmando que Flávio Dino e familiares utilizavam veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão fora da agenda institucional. Para o STF, o inquérito apura possível monitoramento ilegal dos deslocamentos do ministro; já o jornalista sustenta que a operação busca identificar suas fontes no governo estadual.
Raiz do embate Dino × Brandão
Brandão assumiu o executivo maranhense depois que Dino deixou o cargo para disputar vaga no Senado e, posteriormente, ingressar no STF em 2024. Ex-aliados, os dois grupos se distanciaram quando indicados de Dino perderam espaço na administração. A partir daí, nomeações e atos do governo passaram a ser questionados em ações que têm Moraes como relator.
Papel de Dino nos processos
Além de protagonista da disputa política, Flávio Dino é relator de processos que mantêm suspensas indicações ao Tribunal de Contas do Estado. No mais recente capítulo, o ex-procurador Valdênio Caminha acusou assessores de Dino de acessarem, sem autorização, sistemas internos da Procuradoria para coletar informações contra o Palácio dos Leões. Os auxiliares de Dino negam irregularidades e afirmam possuir credenciais formais.
As decisões de Moraes, somadas à nova correlação de forças no STF após a posse de Dino em 2024, aprofundam o desgaste de Brandão e reforçam a influência do ex-governador na política maranhense.
Com informações de Gazeta do Povo