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Ministro Celso Sabino desafia União Brasil, mantém-se no Turismo e corre risco de expulsão

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Brasília – O ministro do Turismo, Celso Sabino, decidiu permanecer no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ignorando a orientação do União Brasil para que todos os filiados deixassem cargos federais.

A resistência manteve-se nesta sexta-feira, 3 de outubro, data fixada pelo partido para seu desligamento. Em vez de pedir demissão, Sabino cumpriu agenda oficial em Belém (PA) ao lado de Lula, vistoriando obras relacionadas à COP30 – evento que ele considera fundamental para impulsionar sua pré-candidatura ao Senado em 2026.

Dois processos simultâneos no partido

Em 30 de setembro, o União Brasil abriu um processo disciplinar que pode resultar na expulsão do ministro. A relatoria ficou com o deputado Fábio Schiochet (SC), presidente da Comissão de Ética da Câmara. Notificado, Sabino tinha até esta sexta-feira (3) para apresentar defesa prévia.

Schiochet informou que apresentará parecer na próxima quarta-feira, 8 de outubro. Caso o ministro ainda esteja no cargo na terça (7), a recomendação será pela expulsão. A decisão final caberá à Executiva nacional, que será convocada pelo presidente da sigla, Antonio Rueda.

Paralelamente, foi instaurado outro processo para destituir a Executiva estadual do União Brasil no Pará, presidida por Sabino. A senadora Professora Dorinha (TO) é a relatora, seguindo o mesmo cronograma do processo de expulsão.

Disputa política no Pará

Pré-candidato ao Senado em 2026, Sabino pretende ocupar a segunda vaga em jogo no estado. A primeira tende a ficar com o governador Helder Barbalho (MDB), favorito nas pesquisas. A outra deve ser disputada entre o ministro e o deputado estadual Chicão (MDB), presidente da Assembleia Legislativa.

Dirigentes do União avaliam que Sabino busca ganhar tempo para manter visibilidade no Pará até eventos de grande repercussão, como a COP30 e o Círio de Nazaré, enfraquecendo a autoridade da direção nacional.

Alinhamento com o Planalto

Em discurso público na quinta-feira (2), durante evento em Belém, Sabino reforçou a lealdade a Lula:

“Presidente Lula, o que nós fizemos juntos no Turismo nunca será esquecido. Nada, nenhum partido político, nenhum cargo e nenhuma ambição pessoal vai me afastar desse povo que eu amo e do estado do Pará. Conte comigo, onde quer que eu esteja, para lhe apoiar, para segurar a sua mão.”

Aliados de Antonio Rueda interpretaram a declaração como sinal inequívoco de alinhamento ao Palácio do Planalto, contrariando a resolução partidária que determinou o desembarque imediato do governo.

Até o momento, o União Brasil não divulgou nota oficial sobre o assunto.

Com informações de Gazeta do Povo