A Meta impôs restrições ao perfil da ex-deputada Manuela d’Ávila no Instagram nesta quinta-feira, 14 de agosto de 2025, depois que ela relacionou o ex-presidente Jair Bolsonaro e a extrema direita ao processo de adultização infantil nas redes sociais.
De acordo com a plataforma, o conteúdo publicado pela ex-parlamentar foi classificado como exploração sexual de menores. Com isso, Manuela ficou impedida de realizar transmissões ao vivo e de veicular anúncios, medida adotada “por segurança”, segundo a empresa.
Em um reels no Facebook, Manuela afirmou que sua conta “recebeu diversas punições por trazer o debate sobre a adultização das infâncias” e citou a frase “pintou um clima”, atribuída a Bolsonaro, como exemplo. “Quando associamos a pedofilia e a adultização das infâncias a Bolsonaro, recebemos proibições da Meta”, declarou.
No post que motivou a punição, a ex-deputada defendeu que “proteger crianças exige enfrentar a extrema direita” e criticou quem “aperta as mãos dos que violam as infâncias enquanto lança cortinas de fumaça com fake news”.
Manuela, que é favorável à regulação das redes, disse que a classificação de seu conteúdo como exploração sexual ocorreu porque ele “dá nome aos bois” e pressiona as plataformas a serem responsabilizadas. “É preciso regular as redes para que as infâncias não sejam adultizadas”, afirmou.
Após apresentar recurso, a ex-parlamentar conseguiu reverter as restrições, que considerou “injustas”. Ela comemorou a decisão, mas alertou para o que, segundo ela, pode ocorrer até as eleições de 2026: “Os vínculos das big techs com a extrema direita são cada vez mais claros”.
Casos semelhantes
Na semana anterior, o militante e ex-candidato do PCB Jones Manoel teve as contas de Instagram e Facebook derrubadas. Ele alegou possível motivação política, citando suas críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao papel das big techs no Brasil. Dias depois, os perfis foram restabelecidos.

Imagem: Jailson Sam via gazetadopovo.com.br
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu ao episódio ao afirmar que “as plataformas decidem quem pode ou não pode falar, mas acusam de censura qualquer proposta de lei ou decisão judicial para regulamentar sua atuação”.
Debate nas redes
A discussão sobre exploração e adultização infantil ganhou força após a viralização de um vídeo do youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, que denunciou casos de erotização de menores em plataformas digitais.
As restrições à conta de Manuela d’Ávila foram retiradas, mas o episódio manteve aceso o debate sobre moderação de conteúdo e regulação das redes sociais no país.
Com informações de Gazeta do Povo