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Mensagens de Vorcaro indicam troca direta com Moraes e ampliam crise do caso Banco Master

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Brasília — 06.mar.2026 – Dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no centro das investigações sobre o Banco Master, cujo rombo já ultrapassa R$ 51 bilhões.

Troca de mensagens em dia de prisão

Segundo relatório da PF, em 17 de novembro de 2025, dia em que Vorcaro foi preso na operação Compliance Zero, houve uma sequência de mensagens que se estendeu das 7h às 21h. Apenas o conteúdo enviado pelo banqueiro ficou registrado; as respostas atribuídas a Moraes teriam sido enviadas com o recurso de visualização única, que apaga o texto após lido.

Nos diálogos, Vorcaro relatava avanços na venda do Master e pedia informações sobre um inquérito sigiloso conduzido na 10ª Vara Federal de Brasília. Em um trecho, questiona: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Pouco antes de ser detido no aeroporto, o empresário voltou a perguntar se havia “novidades” e mencionou que seguiria para assinar com investidores estrangeiros.

Ministro nega conversas

Alexandre de Moraes afirmou, por meio de nota, que jamais manteve as conversas citadas e classificou a informação como “ilação mentirosa” destinada a atacar o STF. A defesa de Vorcaro preferiu não comentar.

Juristas veem risco institucional

Especialistas ouvidos pela reportagem consideram que, embora as mensagens não sejam conclusivas, expõem possível vulnerabilidade do tribunal. O constitucionalista André Marsiglia avalia que a confirmação do diálogo “levantaria sérias questões”. Para o jurista Alessandro Chiarottino, o episódio tem “potencial de agravar o desgaste” do STF.

Outros indícios de contato

Investigadores identificaram uma segunda conversa, datada de 1º de outubro de 2025, também com mensagens autodestrutivas, cujo teor não foi recuperado. Há ainda suspeita de telefonemas entre Vorcaro e Moraes.

Em dezembro de 2025, o ministro teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação do Master. A assessoria de Moraes, contudo, nega qualquer intervenção no tema e diz que o encontro tratou apenas das sanções da Lei Magnitsky impostas a ele e à esposa.

Contrato com escritório da esposa de Moraes

Reportagem do jornal O Globo revelou que Viviane Barci, esposa de Moraes, assinou contrato de R$ 129 milhões para defender o Banco Master. Investigadores apuram se a contratação tem relação com as conversas em análise.

Investigações em curso

A PF continua a periciar aparelhos apreendidos e a rastrear possíveis acessos ilegais a sistemas internos. O objetivo é esclarecer a extensão das comunicações e eventuais interferências em decisões judiciais envolvendo o Banco Master.

Com informações de Gazeta do Povo