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Mendonça afirma que “juiz não deve ser estrela” e é ovacionado por advogados no Rio

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi recebido com aplausos, nesta sexta-feira (20), ao defender a discrição e a ética na magistratura durante o evento “Os desafios da advocacia no século XXI”, promovido pela seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ).

Em sua palestra, Mendonça ressaltou que o objetivo de um magistrado deve ser “fazer o certo pelos motivos certos” e rechaçou qualquer protagonismo pessoal. “O papel do bom juiz não é ser estrela”, declarou, interrompido por palmas do público de advogados. O ministro acrescentou que não pretende ser “salvador de nada” e que a toga impõe “muito mais responsabilidades e deveres do que prerrogativas e poderes”.

Serviço público e confiança social

Mendonça lembrou que juízes são servidores públicos e, por isso, precisam preservar a confiança da sociedade. “A cada dia, a cada decisão, devemos ter em mente nossa responsabilidade com a Justiça, a Constituição, o país e a sociedade”, afirmou.

Crise de credibilidade no STF

As declarações ocorrem em meio a uma crise de imagem do Supremo, agravada pelo envolvimento de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Diante das críticas, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, passou a articular a criação de um código de ética para os integrantes do tribunal.

Dentro desse contexto, Mendonça assumiu a relatoria do caso Master no lugar do ministro Dias Toffoli. A substituição ocorreu após a Polícia Federal solicitar o afastamento de Toffoli, que, apoiado pelos demais magistrados, optou por deixar o processo voluntariamente.

As investigações também alcançaram o ministro Alexandre de Moraes: registros telefônicos de Vorcaro indicam contatos com Moraes, sua esposa, Viviane Barci, e o advogado Mágino Alves Barbosa Filho. Moraes nega qualquer diálogo com o banqueiro.

A crise institucional segue como pano de fundo para o esforço interno de reforçar padrões de conduta, enquanto Mendonça defende publicamente um Judiciário menos personalista e mais comprometido com a função constitucional.

Com informações de Gazeta do Povo