Brasília — Publicado em 24 de março de 2025, o Código de Ética e Conduta do Banco Master prometia “rigorosos padrões de integridade, transparência e conformidade”. O documento de 34 páginas foi elaborado pelo escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com coordenação da advogada Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada do magistrado.
Deputado pede explicações à CPMI do INSS
Após a divulgação da participação do escritório na redação do manual, o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) protocolou requerimentos para convocar Ana Claudia de Moraes e o próprio ministro Alexandre de Moraes a prestarem esclarecimentos na CPMI do INSS.
Regras rígidas no papel
O manual proíbe conflitos de interesse, vantagens indevidas, lavagem de dinheiro e determina critérios estritos de relacionamento com autoridades públicas. Logo na abertura, o então controlador do banco, Daniel Vorcaro, classificou ética e transparência como “pilares fundamentais” da instituição.
Investigação terminou em liquidação
Apesar das diretrizes, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, no rastro da Operação Compliance Zero. As apurações indicam movimentação de bilhões de reais por meio de fundos de investimento, entes públicos e fundos de previdência de servidores.
Relatos de contatos com autoridades
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro sugerem encontros frequentes com políticos, integrantes do sistema financeiro e do Judiciário. Em um desses diálogos, há menção ao ministro Alexandre de Moraes, que nega qualquer irregularidade.
Custos questionados
O escritório Barci de Moraes afirma ter atendido o Master de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, mobilizando 15 advogados, três bancas parceiras, 94 reuniões e 36 pareceres. Investigadores apuram se os honorários teriam alcançado cerca de R$ 80 milhões — valor não confirmado pelo escritório.
Exemplos de possíveis violações
- Degustação de uísque escocês em Londres, em abril de 2024, custeada por Vorcaro por mais de R$ 3 milhões, com participação de autoridades, segundo as investigações.
- Aplicação de bilhões de reais de fundos de previdência estaduais e municipais em títulos do Master, suspeitos de não possuir lastro suficiente.
- Supostos empréstimos e operações estruturadas para lavagem de dinheiro, alvo de CPI no Congresso.
Erros e pressa na redação
Analistas apontam falhas de revisão no próprio manual: em um trecho, o texto diz que o colaborador “não deve impedir” o uso de informações inverídicas — sentido oposto ao desejado. Imagens de banco de dados gratuitas também foram usadas em pelo menos 15 pontos do documento.
Banco e escritório mantêm silêncio
Procurado, o Banco Master não se manifestou sobre a compatibilidade entre suas operações e o código de ética, nem sobre critérios de governança para a contratação de serviços jurídicos. O escritório de Viviane Barci de Moraes limitou-se a uma nota pública relatando a extensão dos serviços prestados e reiterou que nunca atuou pelo Master no STF.
As investigações seguem em andamento na Polícia Federal, no Banco Central, em CPIs no Congresso e na Justiça.
Com informações de Gazeta do Povo