Dois terços do Senado Federal – 54 dos 81 parlamentares – encerrarão seus mandatos em dezembro de 2026. A renovação abrirá a maior disputa pela Casa desde 2010, com impacto direto sobre o alinhamento de direita, esquerda e centro no próximo ciclo legislativo.
Partidos mais atingidos
Entre as legendas, PSD e MDB são as que mais correm risco de perder cadeiras: 11 senadores do PSD e 10 do MDB chegam ao fim do mandato. Em seguida aparecem PL, com sete, e PT, com seis.
Divisão ideológica
Pelo recorte político, 24 senadores em fim de mandato pertencem ao bloco de centro, 17 integram a direita e 13 se alinham à esquerda. Esses números, porém, poderão mudar, pois a maioria deverá disputar a reeleição.
Quem busca renovar mandato
Entre os que já confirmaram tentativa de permanecer no cargo estão Jader Barbalho (MDB-PA), Ciro Nogueira (PP-PI), Esperidião Amin (PP-SC), Fabiano Contarato (PT-ES), Eliziane Gama (PSD-MA), Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Marcelo Castro (MDB-PI). Boa parte deles conta com estruturas partidárias consolidadas nos estados.
Quem já anunciou outros planos
Alguns parlamentares desistiram de permanecer no Senado. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será candidato à Presidência da República; Eduardo Girão (Novo-CE) disputará o governo do Ceará; Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou que deixará a vida política; e Paulo Paim (PT-RS) declarou que não concorrerá a nenhum cargo.
Vagas estratégicas
A composição do Senado é crucial para temas como processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, aprovação de emendas constitucionais e sabatinas de autoridades. A direita avalia que, caso mantenha o desempenho de 2022 – quando conquistou a maioria das 27 vagas em disputa –, poderá formar bloco capaz de sustar medidas do Judiciário. A esquerda, por sua vez, trabalha para minimizar eventuais perdas e preservar a governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com onze meses até o início das convenções partidárias, nomes como Carlos Portinho (PL-RJ), Marcio Bittar (PL-AC), Jaques Wagner (PT-BA) e Soraya Thronicke (União-MS) já articulam alianças estaduais. Em contrapartida, Daniella Ribeiro (PP-PB), Ivete da Silveira (MDB-SC) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) afirmam que não tentarão novo mandato.
A eleição está marcada para 4 de outubro de 2026. Caso todos os atuais titulares confirmem candidatura, o Senado poderá ter a maior taxa de continuidade desde 1994. Se as renúncias se mantiverem, o índice de renovação pode ultrapassar 30% das cadeiras, alterando de forma significativa a correlação de forças entre governo e oposição.
Com informações de Gazeta do Povo