Brasília – 17 jan. 2026 – No primeiro mês do último ano de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já atua como candidato declarado à reeleição. A estratégia combina agenda de inaugurações, reforço de programas sociais e liberação recorde de recursos para parlamentares, mesmo diante de um orçamento comprimido e de alertas sobre o risco fiscal.
Calendário eleitoral antecipado
Consultores apontam que o Palácio do Planalto passou 2025 preparando o terreno. Marcus Deois, diretor da consultoria Ética, lembra que a movimentação não foi feita por meio de campanha explícita, mas por meio de decisões administrativas e orçamentárias articuladas para 2026.
O ponto mais visível, segundo Deois, é o volume de emendas parlamentares: R$ 31,5 bilhões pagos em 2025 e projeção de R$ 40 bilhões para este ano, valor considerado fundamental para sustentar a base no Congresso.
Pacote social reforçado
Além do fortalecimento do Bolsa Família, o governo planeja o Programa Acredito, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a ampliação do Gás do Povo. A equipe econômica também avalia que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixe o cargo para ampliar a visibilidade dos programas, enquanto o secretário-executivo Dario Durigan assume interinamente e dialoga com o mercado sobre possível queda da Selic.
Menos viagens externas, mais presença interna
Em 2026, Lula deverá reduzir compromissos internacionais a três viagens já confirmadas – Índia e Coreia do Sul, em fevereiro, e Alemanha, em abril. Visitas aos Estados Unidos, Panamá e fóruns multilaterais seguem sob análise. Dentro do país, porém, o Planalto montou roteiro intenso de janeiro a julho, período permitido pela Justiça Eleitoral, priorizando Sudeste e Nordeste, maiores colégios eleitorais.
Em dezembro passado, o PT lançou manifesto de “ofensiva democrática” para mobilizar a militância e formar frente contra a “extrema-direita”, marcando o início formal da campanha de Lula.
Orçamento apertado
Com o Orçamento de 2026 sancionado em R$ 6,5 trilhões, a margem de manobra é curta. Descontado o refinanciamento da dívida, o valor cai para R$ 4,7 trilhões; a parcela discricionária encolhe devido ao crescimento automático de Previdência e assistência. Universidades, por exemplo, perderam R$ 488 milhões.
Relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) alerta que o arcabouço fiscal perdeu credibilidade após a retirada de mais de R$ 170 bilhões do limite de gastos entre 2023 e 2025. Até novembro de 2025, o déficit do governo somava R$ 83,8 bilhões – R$ 20,2 bilhões apenas em novembro.
Economia real pode pesar
O cientista político Ismael Almeida avalia que, apesar do peso da máquina pública, o eleitor tende a reagir mais ao bolso. Ele cita a recente alta do botijão de gás, impulsionada pelo aumento do ICMS, que pode neutralizar benefícios concedidos via programas sociais.
Com orçamento engessado, inflação resistente e necessidade de manter uma coalizão parlamentar cara, o governo aposta em obras já contratadas, reembalagem de políticas existentes e forte exposição pública de Lula para tentar garantir mais quatro anos no Planalto.
Com informações de Gazeta do Povo