NOVA YORK, 22.set.2025 – A 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas reúne nesta terça-feira (22) o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela primeira vez desde a escalada das tensões diplomáticas entre os dois países. Sem reunião bilateral prevista, os dois chefes de Estado devem discursar em sequência, o que aumenta a expectativa de novos ataques públicos.
A seguir, relembre oito episódios recentes que alimentam o clima de hostilidade:
1. Convite para telefonema ignorado
Em agosto, Trump declarou que Lula poderia ligar “quando quisesse” para tratar das tarifas de 50% impostas por Washington a produtos brasileiros em julho. O Planalto nunca aceitou o convite; Lula argumentou que um diálogo desse nível exige preparação diplomática.
2. “Ele nunca quis conversar”, diz Lula
Em 18 de setembro, à BBC, o presidente brasileiro afirmou não ter relação alguma com o republicano e que jamais tentou telefonar, porque “Trump demonstrou que nunca quis conversar”. Lula acrescentou que “o povo americano pagará pelos erros” do aumento tarifário.
3. Artigo no New York Times contra o tarifaço
Publicado em 14 de setembro, o texto assinado por Lula classificou as novas tarifas como “medida política” para proteger o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe em 2023. No mesmo artigo, o brasileiro defendeu o Supremo Tribunal Federal e rebateu críticas de Washington sobre suposta perseguição a empresas de tecnologia.
4. Acusações de “genocídio” em Gaza
Em fevereiro, Lula condenou a proposta de Trump de controlar a Faixa de Gaza e afirmou que os EUA “incentivaram um genocídio” no território palestino. Segundo ele, apenas os próprios palestinos deveriam decidir o futuro da região.
5. Ameaça a países alinhados ao Brics
Pelas redes sociais, Trump avisou que taxaria “sem exceções” qualquer nação que aderisse a políticas “antiamericanas” do Brics. Na cúpula do grupo, no Rio de Janeiro, em julho, Lula defendeu reduzir a dependência do dólar – logo depois veio o aumento tarifário contra o Brasil.
6. Possível uso de poder econômico e militar
Após a condenação de Bolsonaro pelo STF, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump não hesitaria em recorrer ao “poder econômico e militar” dos EUA para proteger a liberdade de expressão no exterior, citando Brasil e Europa.
7. Brasil seria “mau parceiro”
Em pronunciamento no Salão Oval, Trump classificou o Brasil como “parceiro comercial horrível” que cobra tarifas “muito maiores” que as americanas. Lula respondeu: “Ele resolveu contar algumas mentiras… O Brasil não vai andar de joelhos”.
8. A jabuticaba como provocação
No dia em que Washington anunciou o tarifaço, Lula postou um vídeo comendo jabuticaba. Ironizando o rival, disse que levaria a fruta a Trump e que “quem chupa jabuticaba de manhã não precisa de briga tarifária”.
A tensão entre os dois governos inclui ainda a suspensão de vistos de servidores brasileiros pelos EUA e a aplicação da Lei Magnitsky Global contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes e sua esposa. Com discursos marcados para o fim da manhã, a Assembleia da ONU pode se tornar o próximo palco para a continuação das trocas de acusações.
Com informações de Gazeta do Povo