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Lula revê relação com STF após avanço de investigação sobre Banco Master

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Brasília — 20/03/2026. O aprofundamento das investigações sobre o Banco Master levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a adotar uma estratégia de distanciamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Assessores do Palácio do Planalto confirmam que a medida busca limitar o desgaste político causado pelas suspeitas que atingem ministros da Corte.

Risco de contaminação ao governo

Nos bastidores, integrantes do Executivo e parlamentares do PT relatam que a proximidade institucional com o STF, considerada fundamental para a governabilidade até aqui, passou a ser vista como fator de risco. A ordem interna é defender o respeito às instituições, mas frisar que eventuais explicações cabem apenas aos magistrados citados no inquérito.

Levantamento da Genial Quaest, realizado entre 6 e 9 de março com 2.004 eleitores (margem de erro de 2 p.p., registro BR-05809/2026), mostra que 72% dos brasileiros avaliam que o STF concentra poder em excesso. Outros 59% enxergam o tribunal como aliado do governo federal, e 66% defendem eleger senadores dispostos a analisar pedidos de impeachment contra ministros.

Dias Toffoli no foco das preocupações

O ministro Dias Toffoli tornou-se o principal motivo de apreensão no Planalto. Citado em mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso no STF. Petistas discutem, reservadamente, a possibilidade de um afastamento temporário do magistrado para reduzir a pressão sobre o tribunal.

A relação histórica entre Lula e Toffoli — ex-advogado do PT, ex-Advogado-Geral da União e indicado ao Supremo pelo presidente em 2009 — intensifica o temor de contaminação política.

Moraes também sob análise

Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. O gabinete de Moraes nega que o magistrado tenha recebido os recados e afirma que as capturas de tela referem-se a outros nomes da agenda do banqueiro, atualmente sob sigilo. Apesar da cautela pública, auxiliares de Lula admitem que o episódio amplia o desgaste em meio à queda de popularidade do governo.

Direita mira Senado em 2026

Partidos de oposição, especialmente o PL, planejam usar a crise para impulsionar candidaturas ao Senado em 2026. A legenda de Jair Bolsonaro pretende conquistar ao menos 41 das 81 cadeiras, número suficiente para influenciar processos de impeachment de ministros do STF.

Para o cientista político Arcênio Rodrigues, a Corte deixou de ser um “ativo” do Executivo e se transformou em passivo político. Já Magno Karl, do grupo Livres, avalia que a exposição de magistrados fortalece o discurso de controle sobre o Supremo e deve pautar o debate eleitoral.

Sem previsão de novos encontros formais com ministros da Corte, o Planalto monitora possíveis desdobramentos da investigação e tenta preservar a agenda econômica e social do governo.

Com informações de Gazeta do Povo