Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Emmanuel Macron, da França, reprovaram a operação militar norte-americana que resultou na prisão do venezuelano Nicolás Maduro. A posição conjunta foi expressa em uma ligação telefônica de aproximadamente uma hora na terça-feira, 27 de janeiro de 2026.
Segundo nota do Palácio do Planalto, ambos classificaram o uso da força pelos Estados Unidos como violação ao direito internacional e defenderam a manutenção da paz e da estabilidade na América do Sul. “Concordamos sobre a importância da paz e da estabilidade na região e no mundo”, declarou Lula após a conversa.
Resistência ao Conselho da Paz de Trump
Durante o contato, Lula e Macron também rejeitaram o Conselho da Paz proposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Para os dois chefes de Estado, qualquer iniciativa de segurança internacional precisa se alinhar aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios da Carta das Nações Unidas. Lula já havia criticado publicamente a proposta na semana passada, afirmando que Trump “quer criar uma nova ONU”.
No dia 26, Lula conversou por telefone com o líder norte-americano e solicitou a inclusão da Palestina no plano, além de limitar o escopo do órgão à guerra em Gaza.
Acordo Mercosul–União Europeia em pauta
Lula aproveitou a ligação para tentar convencer Macron dos benefícios do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, firmado em 17 de janeiro. A França mantém resistência ao tratado sob pressão de agricultores que temem a concorrência de produtos sul-americanos. O Parlamento Europeu levou o texto à Justiça, o que pode atrasar a implementação. Em paralelo, o governo brasileiro busca apoio no Congresso para internalizar as novas regras, mesmo que parcialmente.
Cooperação bilateral
Os presidentes também discutiram parcerias em defesa, ciência, tecnologia e energia. Lula afirmou que equipes técnicas de ambos os países foram orientadas a concluir negociações em andamento ainda no primeiro semestre de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo