A posse do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como novo chefe da Secretaria-Geral da Presidência, marcada para 31 de outubro de 2025, coloca no governo um dos principais nomes da esquerda com a missão de fortalecer, nas ruas, a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
A nomeação, anunciada em 20 de outubro, foi interpretada por analistas como passo estratégico para garantir a presença de um “cabo eleitoral” permanente dentro do Palácio do Planalto. Boulos terá à disposição estrutura estatal e verbas federais para intensificar agendas de divulgação de programas governamentais em todo o país.
Articulação com movimentos sociais
O cargo ocupado por Boulos concentra a ponte do governo com movimentos sociais e comunidades. Ao confirmar a mudança, ele declarou que seu trabalho será “colocar o governo na rua”. A avaliação interna no Planalto é que o ex-líder do movimento sem-teto reaproxima a gestão federal de bases populares, consideradas distantes desde o início do terceiro mandato de Lula.
A consultora de comunicação Madeleine Lacsko resume a estratégia: “Ele vai percorrer o país fazendo o que antes se chamava de campanha antecipada, agora apresentada como divulgação das ações de governo”.
Impacto eleitoral
Dentro do PSOL, a ida de Boulos ao Executivo também é vista como preparação para o futuro político do deputado, apontado como herdeiro do capital político lulista. Embora Lula não o tenha proibido de disputar eleições em 2026, Boulos disse que a decisão ficará para o próximo ano. Entre as possibilidades, aliados citam uma candidatura ao Senado.
Analistas políticos observam ainda que a presença do parlamentar na Esplanada impede sua participação na disputa pelo governo paulista, preservando espaço para o PT em São Paulo e fortalecendo a frente nacional de Lula.
Reação da oposição
Deputados de direita classificaram a indicação como “captura ideológica” do Estado. Kim Kataguiri (União-SP) ironizou afirmando que Lula “tirou das eleições um dos piores candidatos de São Paulo”. Já o ex-ministro Ricardo Salles (Novo-SP) criticou o que chamou de “prêmio à militância”, dizendo que “invasão agora é pela porta da frente, com tapete vermelho e carro oficial”. O vice-líder da oposição, Ubiratan Sanderson (PL-RS), chamou a escolha de “deboche” diante da alta carga tributária.
Enfoque em trabalhadores de aplicativo
Segundo Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, uma das tarefas de Boulos será dialogar com motoristas e entregadores de aplicativos, segmento que historicamente não se vincula ao PT. O governo pretende ampliar políticas como Minha Casa, Minha Vida e isenção do Imposto de Renda para atrair a classe C, considerada decisiva na eleição de 2026.
Para assumir qualquer candidatura, Boulos precisaria deixar o cargo até abril de 2026. Até lá, comandará a articulação com movimentos sociais, reforçando palanques e alianças regionais em favor de Lula.
Com informações de Gazeta do Povo