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Lula intensifica defesa do “direito internacional” após perder espaço no Mercosul e enfrentar pressão dos EUA

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Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a reforçar o discurso de respeito ao direito internacional para tentar recuperar protagonismo externo, em meio à derrota na assinatura do acordo Mercosul-União Europeia e ao avanço da influência dos Estados Unidos na América Latina.

Fracasso na assinatura do acordo Mercosul-UE

A principal aposta diplomática de Lula — concluir o tratado comercial com a União Europeia enquanto comandava a presidência rotativa do Mercosul — terminou sem a presença do brasileiro. A premiê da Itália, Giorgia Meloni, adiou por semanas a posição de seu país, e o ato de assinatura acabou ocorrendo no último fim de semana sob a liderança do presidente do Paraguai, Santiago Peña. Também participaram os presidentes Javier Milei (Argentina) e Rodrigo Paz (Bolívia). Incomodado, Lula não compareceu; o chanceler Mauro Vieira representou o Brasil.

Artigo contra ações unilaterais dos EUA

Na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, o presidente publicou artigo de opinião no The New York Times intitulado “Este hemisfério pertence a todos nós”. No texto, condenou operações americanas que resultaram na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, criticou o enfraquecimento do multilateralismo e defendeu que chefes de Estado não sejam punidos “pela força de outras nações”.

Novo ataque a Trump

No dia seguinte, 20 de janeiro, data que marcou um ano do segundo mandato de Donald Trump, Lula afirmou, em evento no Rio Grande do Sul, que o republicano “quer governar o mundo pelo Twitter (X)”. Durante a campanha eleitoral de 2025, o petista já havia explorado a oposição às tarifas comerciais impostas por Trump para subir nas pesquisas.

Críticas de especialistas e parlamentares

Para o estrategista internacional Cezar Roedel, a retórica do Planalto demonstra “grande hipocrisia”, pois o governo não condena ações da Rússia, da China ou os testes da Coreia do Norte. O deputado Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, classificou a postura como “nanismo diplomático” e disse que o Brasil “anda ao lado das piores autocracias do planeta”.

A socióloga e especialista em cooperação internacional Leila Bijos avaliou que o confronto com Washington prejudica interesses econômicos do país. “A relação técnica, científica e acadêmica com os EUA é estratégica e precisa ser solidificada”, afirmou.

Governo nega isolamento

Interlocutores do Itamaraty argumentam que a política externa de Lula busca “autonomia estratégica” e vê o diálogo com o chamado Sul Global — incluindo China e Rússia — como ativo diplomático em um cenário multipolar.

Ausência de Lula em Davos

O presidente também optou por não comparecer ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta semana. A única representante do governo brasileiro no evento é a ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck. Para analistas, a ausência reforça a percepção de perda de espaço do Brasil em negociações internacionais; o Planalto diz priorizar a agenda doméstica.

Enquanto isso, governos de direita avançam na região e assumem o centro das atenções em fóruns comerciais. Especialistas observam que, sem recursos em defesa e segurança, o país encontra dificuldades para sustentar qualquer pretensão de liderança regional.

Com informações de Gazeta do Povo