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Lula inicia 2026 sob pressão de Congresso autônomo e base governista frágil

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Brasília, 10 de janeiro de 2026 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao último ano do terceiro mandato cercado por um Congresso Nacional mais independente e por uma série de derrotas legislativas que expõem fragilidade na articulação política do Planalto.

Desde março de 2025, quando Gleisi Hoffmann assumiu o Ministério das Relações Institucionais, o governo não conseguiu reverter o clima de conflito. Entre fevereiro e abril deste ano, metade dos 38 ministros deve deixar os cargos para disputar as eleições municipais e estaduais, o que inclui a própria Gleisi e o chefe da Casa Civil, Rui Costa. A debandada amplia o vácuo na articulação em meio à troca das lideranças da Câmara e do Senado.

Câmara e Senado distantes

A relação azedou em novembro, quando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não apareceram à cerimônia de sanção da faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. O gesto se repetiu no início de 2026, na solenidade que marcou três anos dos atos de 8 de janeiro, na qual Lula vetou integralmente o projeto da dosimetria das penas.

Motta reclama do uso frequente de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter decisões da Câmara, enquanto Alcolumbre ainda reage à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no STF, preterindo o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Vitórias da oposição e Centrão reticente

Propostas consideradas prioritárias pelo Planalto foram adiadas ou rejeitadas, como a ampliação do IOF e projetos nas áreas de licenciamento ambiental, segurança pública e anistia. Mesmo em minoria, a direita tem vencido votações com apoio de parlamentares do Centrão, que acusam o governo de não cumprir acordos e de priorizar embates ideológicos.

Para tentar conter o desgaste, o Executivo intensificou a liberação de emendas e abriu diálogo com União Brasil, Republicanos e PSD, mas o ambiente segue marcado por desconfiança. Deputados citam atrasos na execução orçamentária e falta de rumo nas negociações.

Nomes de peso deixam o governo

A reforma ministerial já começou com a saída de Ricardo Lewandowski da Justiça, em janeiro. Em fevereiro deve ser a vez de Fernando Haddad (Fazenda). Ao todo, até 19 titulares podem sair para concorrer em outubro, cenário que, segundo consultorias políticas, tende a fragmentar ainda mais a Esplanada.

No Congresso, também haverá mudanças de comando: Lindbergh Farias (PT-RJ) deve deixar a liderança do PT na Câmara, com o catarinense Pedro Uczai cotado para assumir, enquanto senadores cogitam trocar o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), após sucessivos atritos internos.

Pressão nas ruas e no STF

Sem maioria consolidada, Lula recorre cada vez mais a atos públicos e ao Supremo para sustentar a agenda. Na cerimônia esvaziada do 8 de janeiro, por exemplo, o presidente reforçou o discurso contra a anistia aos envolvidos nos ataques de 2023. Já campanhas do PT passaram a chamar o Congresso de “inimigo do povo” para mobilizar a base eleitoral, estratégia que parlamentares avaliam como fator adicional de isolamento do Planalto.

Analistas veem risco de novas derrotas significativas ao longo do ano eleitoral, caso o governo não recupere capacidade de negociação. Até lá, a tensão entre Planalto e Legislativo deve continuar como um dos principais termômetros da corrida às urnas de 2026.

Com informações de Gazeta do Povo