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Lula deve indicar Jorge Messias para substituir Barroso no STF, dizem bastidores

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Brasília – O advogado-geral da União, Jorge Messias, é apontado como o nome favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha precisa passar por sabatina e obter maioria simples no plenário do Senado.

Antes de formalizar a indicação, Lula pretende se reunir com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), que preside a Comissão de Constituição e Justiça. Alcolumbre trabalha pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas, segundo interlocutores do Planalto, a proximidade de Messias com o presidente e com o Partido dos Trabalhadores pesa a favor do atual chefe da Advocacia-Geral da União.

Atuação no governo

No terceiro mandato de Lula, Messias destacou-se como porta-voz do Executivo junto ao eleitorado evangélico e defensor da regulamentação das plataformas digitais. Logo no início de 2025, enviou notificações à Meta após a empresa encerrar parceria com agências de checagem de fatos e cobrou transparência sobre algoritmos das redes sociais.

Ele também criou, dentro da AGU, a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), órgão responsável por atuar judicial e extrajudicialmente contra a “desinformação sobre políticas públicas”. O dispositivo foi apelidado de “Ministério da Verdade” por parlamentares da oposição.

Relação com evangélicos

Oriundo da Igreja Batista, Messias integra a linha de frente do diálogo do Planalto com lideranças evangélicas. Participou da “Marcha para Jesus”, de encontros com pastores e foi escalado para conversar com a Frente Parlamentar Evangélica durante as indicações de Cristiano Zanin e Flávio Dino ao STF.

Trajetória e apelido “Bessias”

Pernambucano formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, Messias é doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília. No primeiro mandato de Dilma Rousseff, chefiou a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior.

Em 2016, ganhou notoriedade após vir à tona um áudio da Operação Lava Jato no qual Dilma dizia que enviaria a Lula, “pelo Bessias”, o termo de posse na Casa Civil. A manobra buscava garantir foro privilegiado ao ex-presidente. O episódio rendeu ao advogado o apelido que o acompanha até hoje.

Durante o processo de impeachment, Messias integrou o grupo que auxiliou Dilma no Palácio do Alvorada. Com a ascensão de Michel Temer, foi exonerado e, anos depois, exerceu o cargo de assistente parlamentar no gabinete do senador Jacques Wagner (PT-BA).

Tese acadêmica

Em 2024, ao concluir doutorado, Messias criticou a agenda “ultraliberal” adotada após o impeachment de 2016 e citou o Manifesto do Partido Comunista, defendendo maior regulação financeira, ambiental e das redes sociais. O estudo também atacou a condução da pandemia e os questionamentos ao sistema eletrônico de votação durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

Com a provável indicação, o governo espera consolidar maioria na Suprema Corte e manter a linha de diálogo com segmentos religiosos, enquanto enfrenta resistência de oposicionistas que prometem mobilizar o Centrão para barrar seu nome.

Com informações de Gazeta do Povo