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Declaração de Lula sobre 90% dos evangélicos receberem benefícios públicos provoca reação de religiosos

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Salvador (BA), 7 de fevereiro de 2026 – Durante a comemoração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo” e conclamou a militância a dialogar com esse segmento religioso.

O discurso foi feito na capital baiana, diante de apoiadores do partido. Segundo Lula, é preciso que integrantes do PT “conversem” com os fiéis para obter apoio político. A declaração ocorre em um contexto no qual os cadastros dos programas sociais não registram a religião dos beneficiários, impossibilitando comprovar o percentual citado.

Dados demográficos não confirmam percentual

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta 47,4 milhões de evangélicos no país. Se o número mencionado pelo presidente estivesse correto, cerca de 42,6 milhões de fiéis receberiam algum auxílio. Ao todo, aproximadamente 94 milhões de brasileiros – 44% da população – são contemplados por benefícios ou assistências federais. Estudos cruzados do IBGE estimam entre 26 milhões e 32 milhões o total de evangélicos de baixa renda, número inferior ao sugerido por Lula.

Reações políticas e religiosas

A fala repercutiu entre lideranças políticas e religiosas. O vereador paulistano Rubinho Nunes (União) classificou a afirmação como “velha tática” de transformar fé em alvo eleitoral. Já o deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos-RS) disse que Lula tenta “rotular e desqualificar” um grupo que demonstrou oposição ao governo.

No meio religioso, o pastor Franklin Ferreira considerou a declaração “reveladora e profundamente cínica”, por reduzir evangélicos a meros beneficiários do Estado. Ele destacou que o cristianismo “não foi construído sobre benesses do Estado, mas sobre trabalho, família, igreja local e responsabilidade moral”.

A Presidência da República não apresentou, até o momento, dados que sustentem o percentual anunciado.

Com informações de Gazeta do Povo