O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as conversas recentes com o mandatário norte-americano Donald Trump foram “excelentes e amistosas”, mas voltou a criticar a direita e o aumento dos gastos militares no mundo. As declarações foram publicadas nesta segunda-feira (13) pelo jornal italiano Corriere della Sera.
Lula está em Roma desde domingo (12) para participar de reuniões da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza e do Fórum Mundial da Alimentação. Pela manhã, ele e a primeira-dama, Janja da Silva, tiveram audiência com o papa Leão XIV no Vaticano.
Conversa com Trump
Segundo o presidente, ocorreram dois contatos recentes com Trump: um encontro em Nova York e um telefonema na semana anterior.
“Tive duas excelentes reuniões com o presidente Trump, primeiro em Nova York e depois na semana passada por telefone. Foram conversas muito amistosas entre dois presidentes de grandes democracias do Ocidente. Nossas equipes trabalham para agendar uma reunião presencial”, disse Lula ao diário italiano.
A possibilidade é de que o encontro ocorra no fim de outubro, na Malásia, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Crítica ao tarifaço dos EUA
Apesar do tom conciliador, Lula criticou a tarifa de 50% imposta por Washington a produtos brasileiros. Ele atribuiu a medida a “informação incorreta” recebida por Trump sobre a situação política e comercial do Brasil e garantiu que a democracia e a soberania nacionais “não são negociáveis”.
Defesa do Judiciário e caso Bolsonaro
Questionado sobre a avaliação de Trump de que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria uma “caça às bruxas”, Lula defendeu o sistema judicial brasileiro. “Houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil e um complô para me assassinar, assim como ao vice-presidente e a um ministro do Supremo Tribunal”, declarou.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por supostamente liderar uma tentativa de golpe após as eleições de 2022. Para Lula, a sentença serve de exemplo para preservar o Estado de Direito.
Ataque a gastos militares
O presidente antecipou pontos de seu discurso no Fórum Mundial da Alimentação da FAO, em que qualificará como “vergonha para a humanidade” o recorde de US$ 2,7 trilhões em gastos militares alcançado em 2024. Ele ressaltou que, no mesmo período, 673 milhões de pessoas enfrentam fome no planeta.
Reforma da ONU
Lula voltou a defender mudanças na Organização das Nações Unidas, afirmando ser “inexplicável” a ausência de países do Sul Global, como o Brasil, em assentos permanentes do Conselho de Segurança. Para o petista, mais vozes no órgão ajudariam a prevenir conflitos e enfrentar crises climáticas.
Com informações de Gazeta do Povo