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Lula diz que encontro com Trump na Assembleia da ONU dependerá da iniciativa do norte-americano

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 29 de agosto de 2025, que um eventual diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, só acontecerá se o líder norte-americano tomar a iniciativa.

Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar na sessão, posição tradicionalmente ocupada pelo Brasil, enquanto Trump falará em seguida. Em entrevista à Rádio Itatiaia, concedida em Belo Horizonte, o petista explicou que não pretende procurar o colega norte-americano nos corredores da ONU.

“Vai depender dele, porque eu estarei no mesmo espaço. Ele pode chegar antes e conversar comigo, ou pode não querer conversar”, disse o presidente brasileiro, que tem sido pressionado pela oposição a negociar o aumento de 50% nas tarifas aplicadas pelos EUA sobre produtos do Brasil.

Tarifaço e postura do governo

Lula reforçou que o governo brasileiro está disposto a negociar “o tempo todo”, desde que haja reciprocidade de Washington. Caso contrário, declarou, o país buscará novos mercados. “Se os Estados Unidos não quiserem comprar, vamos procurar outro mercado. Não vamos chorar o leite derramado.”

O presidente também mencionou que o Brasil aplica taxas a determinados produtos norte-americanos e defendeu que eventuais contenciosos sejam tratados na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo ele, o governo já consultou o órgão e obteve concordância dos EUA para abrir um canal de diálogo, embora a OMC esteja, nas palavras de Lula, “paralisada”.

Relação bilateral e discurso na ONU

Lula afirmou que não teria objeção a visitar a Casa Branca, “desde que não seja de forma subalterna”, e ressaltou: “O Brasil não é uma republiqueta de bananas. Queremos respeito e respeitamos todos”.

O presidente contou ainda que prepara seu pronunciamento na ONU “a oito mãos”, com referências à defesa da democracia, ao multilateralismo e à reforma da governança global, incluindo a ampliação do Conselho de Segurança. Ele voltou a criticar a ofensiva israelense em Gaza, que classificou como genocídio.

O encontro entre Lula e Trump permanece incerto e dependerá, segundo o chefe do Executivo brasileiro, da disposição do presidente norte-americano em estabelecer contato nos bastidores da Assembleia Geral.

Com informações de Gazeta do Povo