Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve, nesta quinta-feira (8), conversas telefônicas com os chefes de Estado de Colômbia, Canadá e México sobre as consequências da operação militar dos Estados Unidos que, em 3 de janeiro, capturou e destituiu o venezuelano Nicolás Maduro.
Segundo o Palácio do Planalto, Lula e o presidente colombiano Gustavo Petro manifestaram “grande preocupação” com o uso da força contra um país sul-americano, avaliando que a medida fere o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e a soberania venezuelana. Ambos consideraram o episódio um “precedente extremamente perigoso” para a paz regional e saudaram o anúncio de libertação de presos nacionais e estrangeiros pelo governo chavista.
Em diálogo com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, o presidente brasileiro também condenou o recurso à força sem respaldo jurídico multilateral. Lula e Carney convergiram sobre a necessidade de reformar as instituições globais de governança e decidiram acelerar as negociações de um acordo comercial entre Mercosul e Canadá. O premiê aceitou convite para visitar o Brasil em abril.
Ao tratar do tema com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, Lula voltou a repudiar a violação da soberania venezuelana e rejeitou, junto com a líder mexicana, “visões ultrapassadas” de divisão do mundo em zonas de influência. Os dois defenderam o multilateralismo, o direito internacional e o livre-comércio, além de combinarem cooperação no combate à violência contra a mulher. Sheinbaum foi convidada a viajar ao Brasil em data a ser definida.
A operação norte-americana levou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, aos Estados Unidos, onde ambos se declararam inocentes, na segunda-feira (5), das acusações de envolvimento com o narcotráfico.
Com informações de Gazeta do Povo