Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, que convocou o filho Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, ao Palácio do Planalto para cobrar esclarecimentos sobre suspeitas de envolvimento em fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A Polícia Federal apura se Lulinha seria sócio oculto do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador de um esquema que desviava recursos de aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos. O filho do presidente não é alvo direto da investigação; seu nome surgiu por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, parceira dele em negócios de cannabis medicinal e interessada em contratos com o governo federal.
Em entrevista ao portal UOL, Lula relatou o diálogo com Lulinha: “Olhei no olho dele e disse: ‘Só você sabe a verdade. Se tiver alguma coisa, vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’”. O presidente não detalhou quais explicações recebeu do filho.
Comparação com a Lava Jato
Lula traçou paralelo entre as suspeitas que recaem sobre Lulinha e o próprio processo ao qual respondeu na Operação Lava Jato. Detido em 2018, o petista afirmou que recusou propostas de deixar o país para “desmascarar” as acusações, posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que lhe devolveu os direitos políticos.
“Ainda tenho fé de que, daqui a 50 ou 60 anos, parte da imprensa peça desculpas pelas mentiras que contou”, declarou o presidente.
Reação do Planalto e da oposição
Lula ressaltou que adota postura rígida com auxiliares e familiares: “Não tenho dó nem piedade. Quem trabalha comigo sabe que só há um jeito de não ser molestado: fazer as coisas direito”.
Parlamentares da oposição acusam a base governista de tentar blindar Lulinha na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a fraude no INSS. Há requerimentos para que ele seja convocado a depor. A defesa do empresário nega irregularidades, qualificando as suspeitas como “ilações” políticas.
Com informações de Gazeta do Povo