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Lula ignora sessão do Congresso, reforça pauta eleitoral e escândalo do Master fica fora dos discursos

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Brasília — 3.fev.2026 — A abertura do ano legislativo foi marcada pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sessão solene do Congresso Nacional. Pelo terceiro ano seguido, o chefe do Executivo mandou apenas a Mensagem Presidencial, entregue pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, enquanto compareceu presencialmente, no mesmo dia, à cerimônia de início dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF).

A opção foi interpretada por analistas como sinal de aproximação com o Judiciário e distanciamento do Parlamento — justamente quando o governo depende dos votos de deputados e senadores para aprovar sua agenda em ano eleitoral.

Calendário curto e prioridades de forte apelo popular

Com pouco tempo útil para votações antes do recesso junino e do início da campanha, o Planalto destacou no documento de cerca de 900 páginas temas de grande impacto junto ao eleitorado, entre eles:

  • extinção da escala de trabalho 6×1 sem redução salarial;
  • regulamentação dos aplicativos de entrega e transporte;
  • avaliação da PEC da Segurança Pública;
  • combate a facções criminosas e ao feminicídio;
  • investimentos em soberania tecnológica, como o plano nacional de inteligência artificial.

Para o cientista político Alexandre Bandeira, a estratégia do governo é transformar eventual derrota em pauta popular em discurso de campanha, atribuindo ao Congresso a responsabilidade por “maldades” e se apresentando como autor das “bondades”.

Silêncio sobre o Banco Master

Embora domine bastidores de Brasília, o escândalo que envolve o Banco Master não foi mencionado por Lula nem pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Líderes partidários temem que a instalação de uma CPI ou CPMI atinja diferentes correntes políticas em pleno ano de eleição.

A oposição tenta furar o bloqueio. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou pedido de CPMI com apoio declarado de 238 deputados e 42 senadores, totalizando 280 parlamentares. Na Câmara, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) entregou requerimento para uma CPI exclusiva.

Especialistas ouvidos avaliam que a blindagem pode ceder se houver pressão nas ruas e nas redes sociais. “Hoje existe fôlego para adiar, mas não para segurar indefinidamente”, disse o professor Elias Tavares.

Lideranças do Congresso cobram protagonismo

Em resposta indireta ao Palácio do Planalto, Hugo Motta prometeu rapidez na discussão do fim da escala 6×1 e da regulamentação dos aplicativos, “com equilíbrio e responsabilidade”. Também defendeu as emendas parlamentares na distribuição de recursos federais.

Davi Alcolumbre reforçou que busca “paz entre os Poderes”, mas sem abrir mão das prerrogativas do Legislativo. “Paz não é omissão”, afirmou, sinalizando resistência a eventuais interferências.

A ausência de Lula foi vista pelos cientistas políticos Adriano Cerqueira e Elias Tavares como indício de fragilidade na articulação com uma base já considerada enxuta. Sem presença consistente no plenário, o governo tende a recorrer a acordos pontuais para avançar em projetos.

Até o momento, porém, persiste o impasse: o Planalto tenta acelerar pautas populares, o Congresso exibe independência e o caso Master segue rondando o cenário político sem data para ser enfrentado oficialmente.

Com informações de Gazeta do Povo