O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta terça-feira (26) que aliados no Congresso Nacional adotem medidas para responsabilizar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo Lula, o parlamentar teria atuado nos Estados Unidos para incentivar sanções contra o Brasil, numa tentativa de influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de conspirar por um golpe de Estado após a eleição de 2022.
A cobrança ocorreu durante a segunda reunião ministerial de 2025, realizada pela manhã no Palácio do Planalto. Ministros, presidentes de estatais e assessores acompanharam o encontro, que teve os primeiros minutos transmitidos à imprensa.
“Maior traição que um país pode sofrer”
Em discurso enfático, Lula classificou a suposta articulação de Eduardo Bolsonaro como “uma das maiores traições que uma pátria pode sofrer”. O presidente afirmou não haver registro histórico de “um filho da nação mudar-se para outro país e insuflar governantes estrangeiros contra seu próprio povo”.
Para reforçar a mensagem, Lula mandou distribuir aos ministros um boné azul com a frase “O Brasil é dos Brasileiros”. O gesto buscou unificar o discurso de defesa da soberania nacional depois de derrotas recentes do Planalto no Legislativo e da imposição de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.
Críticas a Trump e defesa das big techs
Lula também contestou o aumento de 50% nas tarifas anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Para o petista, o republicano age “como se fosse imperador do planeta”. Ele declarou que a equipe econômica está “24 horas por dia” aberta a negociar, mas considerou “descabidas” as ameaças de Washington.
O presidente brasileiro interpretou como recado ao Palácio do Planalto a declaração recente de Trump contra países que pretendem regular plataformas digitais. Lula sinalizou que enviará ao Congresso uma nova proposta de regulação das redes sociais e insistiu que as empresas de tecnologia devem obedecer à legislação brasileira.
Agenda externa e solidariedade a Lewandowski
Durante a reunião, o vice-presidente Geraldo Alckmin apresentou avanços comerciais e confirmou viagem, ainda hoje, ao México a convite da presidente Claudia Sheinbaum. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, integrará a comitiva.
Lula aproveitou para manifestar apoio a Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, que teve o visto norte-americano suspenso. Para o presidente, a decisão de Washington é “vergonhosa”.

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Conflitos internacionais e reforma da ONU
O chefe do Executivo federal criticou o aumento de gastos militares na Europa, reiterou que o conflito entre Rússia e Ucrânia caminha para o fim e voltou a acusar Israel de promover genocídio em Gaza. Ele defendeu a ampliação do Conselho de Segurança da ONU como forma de aprimorar a governança global.
Cenário político interno
O encontro ministerial foi convocado após o governo perder o controle da CPMI do INSS. A oposição elegeu o senador Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência e o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) para a relatoria, apesar de indicações iniciais dos presidentes da Câmara e do Senado.
Lula também enfrenta aprovação limitada. Sondagem Quaest divulgada recentemente mostra 51% de desaprovação e 46% de aprovação. Mesmo assim, o presidente tem sinalizado intenção de disputar a reeleição em 2026, enquanto legendas da base indicam possíveis candidaturas próprias ou apoio a nomes de oposição.
Reunião encerrada, o Planalto mantém o foco em reverter o tarifaço dos EUA e recuperar espaço no Congresso, além de tentar impulsionar a popularidade do governo nos próximos meses.
Com informações de Gazeta do Povo