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Liquidação do Banco Pleno reacende suspeitas sobre parceria de ex-sócios do Master com governos petistas na Bahia

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Brasília, 23 de fevereiro de 2026 — A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, controlado pelo empresário Augusto “Guga” Lima, volta a colocar em evidência o modelo de crédito consignado criado na Bahia durante gestões do PT e posteriormente incorporado ao Banco Master.

Credcesta no centro das apurações

Lima é investigado pela CPI do INSS por causa do Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a cerca de 400 mil servidores estaduais baianos. A engrenagem começou em 2018, no governo Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e foi levada ao Master em 2019 após associação de Lima com o banqueiro Daniel Vorcaro. Pelo menos sete requerimentos de convocação, além de pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário de Lima, aguardam deliberação na comissão.

O senador Izalci Lucas (PL-DF), autor de um dos pedidos, afirma que Lima “desempenhou papel relevante” na expansão dos consignados. Vorcaro também é alvo da CPI, que já aprovou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. O depoimento do banqueiro, inicialmente marcado para 5 de fevereiro e remarcado para 23 de fevereiro, tornou-se facultativo por decisão do ministro André Mendonça, do STF. Em contrapartida, Mendonça autorizou o envio de dados sigilosos do banco à comissão, medida considerada “fundamental” pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL).

Origem da operação na Bahia

O Credcesta surgiu a partir do processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede Cesta do Povo. Em 2017 e 2018, tentativas de leilão fracassaram. A inclusão, por sugestão de Lima, da autorização para operar um cartão consignado tornou o ativo mais atraente. Segundo apuração da revista Piauí, a negociação foi conduzida diretamente com o então secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, o senador Jaques Wagner (PT-BA), que nega irregularidades: “Estabeleci relação, mas não tive negócio com ele”, declarou em janeiro à Rádio Baiana FM.

A rentabilidade do cartão foi reforçada pelo Decreto estadual nº 18.353, que acrescentou 10 pontos percentuais à margem de desconto em folha além dos 30 % já permitidos para empréstimos consignados. Em 2022, novo decreto restringiu a portabilidade, dificultando a migração dos servidores para outras instituições.

Expansão e mudança societária

Entre 2015 e 2025, Lima levou o negócio de consignados a 24 estados e 176 municípios, apoiado por fundos de investimento e pela gestora Reag, liquidada pelo BC após a Operação Carbono Oculto, que investigou suposta ligação com o PCC. Com o Master sob crescente fiscalização, o então Banco Voiter foi desmembrado, passou ao controle de Lima e, em julho de 2025, recebeu em apenas 45 dias a autorização para operar como Banco Pleno.

Operações questionadas e prejuízo bilionário

O modelo do grupo combinava venda de CDBs com rentabilidade acima do mercado e garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o advogado Luís Garcia, especialista em compliance, o limite de R$ 250 mil coberto pelo FGC era utilizado como argumento comercial, estimulando captações sem lastro suficiente. “Quando a confiança se abalou, instalou-se uma corrida de saques”, resume.

Com a liquidação do Master e do Pleno, o FGC calcula desembolso de cerca de R$ 40,6 bilhões para credores do Master e R$ 4,9 bilhões para 160 mil clientes do Pleno. Somadas a outras quebras recentes, as operações podem consumir até 32 % do patrimônio do fundo. Juntos, os dois bancos detinham menos de 1 % dos ativos do Sistema Financeiro Nacional — 0,57 % o Master e 0,04 % o Pleno.

Auditoria e respostas pendentes

Garcia aponta falha de controles privados e diz que auditorias independentes “não sinalizaram com a devida contundência” a deterioração dos ativos. Procurados, Banco Central, Jaques Wagner e Rui Costa não responderam até o fechamento da matéria.

Com informações de Gazeta do Povo