Brasília — 1º.dez.2025 — A disputa pela cadeira do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a acirrar os ânimos entre o Palácio do Planalto e o Senado. Para garantir a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, o governo liberou emendas parlamentares, enquanto o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (União-AP), pressiona por uma data para a sabatina e critica setores do Executivo.
Governo distribui emendas para angariar apoio
Nos bastidores, a liberação de recursos atende a parlamentares indecisos ou que condicionavam o voto favorável à indicação de Messias ao atendimento de demandas locais. A estratégia gerou desconforto em parte do Senado, que acusa o Executivo de “troca de favores” para acelerar a nomeação.
Alcolumbre rebate Planalto e cobra calendário
Alcolumbre afirmou que a CCJ definirá um “prazo coerente” para realizar a sabatina, mas lamentou a demora do governo em formalizar a mensagem presidencial. Ele também negou que exista retaliação à indicação do advogado, mas destacou que a independência do Senado precisa ser preservada.
PT faz aceno, mas mantém pressão
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, elogiou Alcolumbre por manter o diálogo aberto, porém advertiu que o governo “não pretende rebaixar” a relação institucional. Segundo a deputada, o Planalto confia na aprovação de Messias antes do recesso parlamentar.
Movimentações para 2026 esquentam
Enquanto o impasse se prolonga, as articulações para a eleição presidencial de 2026 ganham força. O ex-ministro José Dirceu declarou existir um “ultimato” para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entre na disputa. Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), apresentaram o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como pré-candidato ao governo do Ceará.
Lula defende combate a privilégios em rede nacional
Em pronunciamento na noite de segunda-feira (1.º), o presidente Lula afirmou que seu governo “não se curvará aos privilégios de poucos”. O discurso vem em meio ao receio de deterioração do cenário econômico, fator que pode ampliar o desgaste do Executivo a um ano das eleições municipais.
Tensão entre Poderes e pressão da oposição
A crise institucional extrapola a disputa pela vaga no STF. Mais de um terço dos senadores pediu ao Supremo informações sobre “vozes caladas” pela Corte. Durante sessão do TSE, a ministra Cármen Lúcia comparou ditaduras a “ervas daninhas” que atacam a Constituição. Na Esplanada dos Ministérios, manifestantes exigiram a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e a aprovação de uma lei de anistia.
O Planalto espera que a indicação de Jorge Messias seja votada ainda neste mês para reduzir o atrito com o Legislativo e completar a composição do Supremo antes do recesso do Judiciário.
Com informações de Gazeta do Povo