O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da oposição na Câmara, declarou que a abertura de um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é apenas “questão de tempo”. A afirmação foi feita em entrevista publicada nesta sexta-feira (2), pela Gazeta do Povo.
Jordy sustenta que, nos últimos seis anos, o STF — especialmente sob a relatoria de Moraes — adotou medidas que ele considera abusivas, como inquéritos sem base constitucional, prisões consideradas ilegais e restrições a perfis de redes sociais de parlamentares, influenciadores e usuários alinhados à direita.
O parlamentar atribui à cúpula do Senado a resistência para dar andamento a pedidos de afastamento de ministros. Ele menciona nominalmente os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP), presidentes da Casa nos últimos anos, como responsáveis por não acolherem propostas de impeachment.
Banco Master acirra debate no Congresso
A oposição pretende usar as suspeitas de conflito de interesses envolvendo Moraes e o Banco Master para impulsionar a iniciativa. Reportagens recentes apontam que o ministro teria pressionado o Banco Central a favorecer a instituição financeira, que mantém contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia de sua esposa. Escritórios do setor questionam o valor, considerado acima da média de mercado para serviços similares.
Na avaliação de Jordy, a denúncia amplia o leque de apoio ao impeachment, alcançando atores políticos fora do campo conservador. O parlamentar argumenta que, se confirmada, a conduta de Moraes caracterizaria violação ao dever de imparcialidade exigido de magistrados. O ministro nega qualquer irregularidade.
“Inevitável”, diz vice-líder da oposição
Segundo Jordy, o comportamento de Moraes “ultrapassa as quatro linhas da Constituição” e configura abuso de autoridade. “Ele não mede esforços para atingir seus objetivos; cedo ou tarde o Senado terá de agir”, afirmou o deputado, para quem a adoção de medidas extremas se tornará “natural” caso o processo avance.
Com respaldo de colegas de bancada, o vice-líder anuncia articulação para protocolar novos pedidos de impeachment e, se necessário, instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso do Banco Master.
A legislação determina que cabe ao presidente do Senado decidir se um pedido de impedimento contra ministros do STF será analisado pelo plenário. Até o momento, nenhuma das representações protocoladas prosperou.
Com informações de Gazeta do Povo