Balneário Camboriú (SC) – Um suspeito de envolvimento nas aplicações da Rioprevidência no liquidado Banco Master arremessou uma mala cheia de dinheiro pela janela do apartamento onde morava, na manhã desta quarta-feira (11), quando agentes da Polícia Federal cumpriam mandado de busca e apreensão. A cena marcou a terceira fase da Operação Barco de Papel.
De acordo com a PF, além da quantia em espécie – cujo valor não foi divulgado –, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois smartphones. Outro mandado foi executado no município vizinho de Itapema.
Desdobramento da Compliance Zero
A Operação Barco de Papel surgiu como ramificação da Operação Compliance Zero, deflagrada no fim de 2025. As investigações apontam que o Banco Master teria negociado carteiras de crédito consideradas fraudulentas com o Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões. Recursos de vários institutos de previdência estaduais e municipais teriam sido aplicados em títulos de alto risco administrados pelo Master.
R$ 970 milhões sob risco
No centro do inquérito está a Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores do Rio de Janeiro. O órgão aplicou R$ 970 milhões em papéis que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Na semana passada, o então presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes, foi preso na segunda fase da operação, suspeito de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e corrupção. Ele havia renunciado em 23 de janeiro, após a primeira etapa da Barco de Papel.
Medidas de proteção ao fundo
A Rioprevidência afirma estar resguardada por decisão judicial de dezembro de 2025 que determinou a retenção dos R$ 970 milhões investidos, acrescidos de juros e correção. Em outubro do mesmo ano, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro proibiu novos aportes em títulos ligados ao Banco Master, apontando possível gestão irresponsável.
Segundo a Polícia Federal, pelo menos nove aplicações realizadas entre 2023 e 2024 colocaram em risco o patrimônio dos servidores fluminenses. A corporação não detalhou a conexão dos suspeitos localizados em Santa Catarina com o esquema investigado no Rio de Janeiro.
A Operação Barco de Papel segue em andamento.
Com informações de Gazeta do Povo