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Polícia apura possível pressão sobre ex-presidente da Amprev para investir R$ 400 milhões no Banco Master

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A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Amapá investigam se o ex-diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, sofreu influência externa ou pressão política para autorizar a aplicação de R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master, entre 12 e 30 de julho de 2024.

Três frentes de investigação

Auditoria do Ministério da Previdência Social, já compartilhada com a PF, aponta três questões centrais:

• se houve interferência de terceiros na decisão de Lemos;

• se o processo foi agilizado para driblar questionamentos técnicos;

• se o credenciamento do banco e as diligências cumpriram os requisitos de proteção aos recursos previdenciários.

Sinal de alívio e atas incompletas

Gravação obtida pelos auditores registra Lemos, ao fim da reunião que aprovou o primeiro aporte de R$ 200 milhões em 12 de julho de 2024, dizendo que a deliberação “tirava um peso das costas”. A fala, acompanhada por risos de conselheiros, não aparece na ata oficial.

Vínculo político e renúncia

Lemos é aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que o indicou para o cargo e nega ligação com os investimentos. O executivo comandou a tesouraria da campanha de reeleição do senador em 2022. Ele deixou a Amprev em 11 de fevereiro de 2026, afirmando querer “garantir total independência” às investigações.

Aprovações sucessivas e resistências internas

Os R$ 400 milhões foram liberados em três reuniões do conselho: R$ 200 milhões em 12/7, R$ 100 milhões em 19/7 e mais R$ 100 milhões em 30/7 de 2024. Parecer técnico da Caixa Econômica Federal classificara operação semelhante como “altamente arriscada”, o que provocou resistência de dois dos cinco conselheiros. Mesmo assim, a maioria acompanhou o voto favorável de Lemos.

Credenciamento sob suspeita

Investigadores detectaram que a documentação usada para habilitar o Banco Master em fundos de pensão reproduzia textos padronizados, criados pelo próprio banco e copiados por, ao menos, três outras entidades. Auditores apontam ausência de análise independente de risco.

Operação policial e desdobramentos

No dia 6 de fevereiro de 2026, PF cumpriu mandados de busca contra Lemos, dois conselheiros e na sede da Amprev. Um dos conselheiros, apontado como articulador dos aportes, já enfrentava processo por irregularidades em outro fundo e só deixou o comitê após a operação.

Impacto da liquidação do banco

A liquidação do Banco Master elevou o temor de prejuízos para a Amprev e para cerca de vinte outros regimes próprios de previdência. A autarquia amapaense afirma que os aportes representam 4,7% de sua carteira e que já obteve bloqueio judicial de valores do banco.

Notas oficiais

Davi Alcolumbre defende “rigor absoluto” nas apurações e diz não ter relação com as operações.

Jocildo Lemos sustenta que todos os atos seguiram a legalidade e ressalta crescimento de 41% no patrimônio da Amprev entre 2023 e 2025.

• A Amprev declara sentir-se lesada, busca ressarcimento e garante recursos para pagar aposentados e pensionistas até 2059.

As investigações continuam sem prazo divulgado para conclusão.

Com informações de Gazeta do Povo