O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou, na terça-feira (24), a inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro até 2030, abrindo uma lacuna estratégica para o PL na disputa pelas duas vagas fluminenses ao Senado em outubro.
Castro era visto pela legenda como voto certo em eventuais processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima legislatura. Sem ele, o partido perde força no objetivo de formar maioria na Casa para conter decisões que julga abusivas do Judiciário.
Recurso e risco eleitoral
O ex-governador nega irregularidades, planeja embargos de declaração no próprio TSE e, se necessário, recurso ao STF. Ele admite concorrer sub judice, cenário rejeitado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou que a candidatura só será mantida se a condenação for revertida.
Números das pesquisas
Levantamento do Instituto Real Time Big Data, realizado em 9 e 10 de março com 2.000 eleitores (margem de erro de dois pontos e índice de confiança de 95%, registro BR-04367/2026), apontou Castro com 11% a 36% das intenções de voto, conforme o cenário testado. Na melhor simulação, o ex-governador quadruplicava o desempenho de Márcio Canella (União Brasil), segundo nome apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro, que oscilou de 5% a 9%.
Marcelo Crivella (Republicanos) apareceu estável em 15% e Benedita da Silva (PT) variou de 9% a 16%. Ambos evitam se comprometer com pedidos de impeachment de ministros do STF.
Possíveis substitutos
Sem Castro, o PL cogita convidar o delegado Felipe Curi, ex-secretário da Polícia Civil que ganhou notoriedade após operação em outubro passado que deixou 122 suspeitos mortos no Complexo do Alemão e da Penha. Ainda sem filiação partidária, Curi planejava ingressar no PP para concorrer à Câmara, mas avalia migrar para o PL e disputar o Senado. Ele não foi incluído em levantamentos de opinião para o cargo.
Caso nem Castro nem Curi entrem na corrida, analistas veem aumento das chances de Crivella e Benedita ocuparem as duas cadeiras do Rio, o que enfraqueceria a bancada bolsonarista na Casa a partir de 2027.
Composição atual e vagas em disputa
Hoje, os três senadores fluminenses são do PL: Bruno Bonetti (suplente de Romário), Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho. As cadeiras de Flávio e Portinho serão renovadas; a de Bonetti (ou de Romário, caso retorne) tem mandato até 2031.
Como foi o julgamento
Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico e captação ilícita de recursos na campanha de 2022. O julgamento começou em 5 de novembro de 2025 com voto da relatora, ministra Isabel Gallotti, pela cassação. Após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, a análise ficou parada 124 dias, mais que o limite legal de 60 dias. Relatada a vista em 10 de março, Ferreira acompanhou a relatora; no mesmo dia, Kassio Nunes Marques pediu nova vista, devolvendo o caso 14 dias depois, prazo acordado pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia. O placar final foi 5 a 2 pela perda do mandato e inelegibilidade; Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao STF por Jair Bolsonaro, votaram pela absolvição.
Na eleição de 2022, Castro foi reeleito governador no primeiro turno com quase 60% dos votos válidos.
Com informações de Gazeta do Povo