A recusa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mobilizou partidos de direita para as eleições de 2026. Com 41 senadores favoráveis — número suficiente para iniciar o processo —, a oposição concentra esforços em eleger uma maioria que permita, a partir de 2027, avançar sobre temas como a destituição de ministros e a revisão do poder do STF.
PL assume comando das articulações
O Partido Liberal (PL), presidido por Valdemar Costa Neto, intensificou o controle sobre candidaturas estaduais. Resolução recente determina que eleitos pela sigla não apoiem nomes de outros partidos, sob pena de corte do fundo eleitoral ou expulsão. A direção nacional também está autorizada a intervir em diretórios locais para anular convenções consideradas desfavoráveis.
Essa estratégia, costurada pessoalmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro desde o fim das eleições municipais de 2024, mira as 54 cadeiras em disputa no Senado em 2026 — duas por estado. O objetivo é garantir uma bancada conservadora capaz de eleger o próximo presidente da Casa em 2027.
Magnitsky reforça discurso de impunidade
A sanção aplicada pelos Estados Unidos a Moraes, com base na Lei Magnitsky Global, fortaleceu o discurso oposicionista de que o ministro teria cometido abusos de autoridade. A punição internacional tornou o caso mais visível e alimentou a narrativa de “impunidade” que a direita pretende levar às urnas.
“Pacote da Paz” reúne impeachment e anistia
O pedido de impeachment faz parte do chamado Pacote da Paz, que inclui ainda anistia aos réus do 8 de janeiro e o fim do foro privilegiado. O documento imputa a Moraes crimes de responsabilidade como usurpação de competências de outros Poderes e abuso de autoridade.
Novas filiações e candidaturas
A chegada do senador Márcio Bittar (AC) ao PL, após deixar o União Brasil, ampliou a presença da sigla no Senado e reforçou alianças regionais. O partido trabalha para lançar nomes competitivos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde Bolsonaro venceu o segundo turno de 2022 com 69,7%, 58% e 60,5% dos votos, respectivamente.
Em São Paulo, o PL mantém Eduardo Bolsonaro como pré-candidato ao Senado. Caso ele não concorra, o partido cogita alternativas como Guilherme Derrite (PP), Gil Diniz (PL) ou Marco Feliciano (PL).

Imagem: Valter Campanato via gazetadopovo.com.br
Pressão extrapola o PL
Analistas políticos apontam que a ofensiva não se restringe ao PL. Senadores de nove legendas aderiram à coleta das 41 assinaturas pró-impeachment e chegaram a paralisar os trabalhos do plenário, inclusive ocupando a Mesa Diretora por dois dias. Para o cientista político Ismael Almeida, cada estado terá dinâmicas próprias, mas a soma de forças conservadoras tende a pautar a campanha de 2026.
Possível CPI e novas sanções
O senador Esperidião Amin (PP-SC) protocolou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o episódio conhecido como “Vaza Toga 2”, que envolve mensagens atribuídas a ex-assessores de Moraes. Paralelamente, há expectativa de que a Casa Branca amplie as sanções Magnitsky a outros sete ministros do STF — Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino — além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Cenário de incerteza
Para o professor Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, o Centrão monitora o custo político de manter o processo parado. Já o cientista político Antônio Flávio Testa avalia que o impeachment de Moraes só avançará se novas sanções internacionais atingirem outros integrantes do Supremo ou se houver pressão do setor financeiro.
Com o processo parado e a possibilidade de Moraes assumir a presidência do STF em 2028, a oposição aposta que a sensação de impunidade influenciará o eleitorado e transformará a eleição de 2026 no principal campo de batalha para reconfigurar o poder no Senado.
Com informações de Gazeta do Povo