O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (7) que Karl Marx não pode ser responsabilizado pelo regime implantado na União Soviética. A declaração foi feita em São Paulo, durante o lançamento de seu livro “Capitalismo superindustrial – caminhos diversos, destino comum”.
Ao comentar a obra, Haddad disse que “não é muito recomendável que o ministro da Fazenda publique um livro desse”, referindo-se à carga ideológica do conteúdo. Mesmo assim, enfatizou que decidiu lançá-lo antes de deixar o cargo porque “a razão pela qual se entra na política é tentar encontrar caminhos”.
Crítica à democracia brasileira
O ministro classificou a democracia do país como “problemática” e “um pouco frágil”, argumentando que “a classe dominante do Brasil entende o Estado como o dela”.
Distância da experiência soviética
Haddad relatou ter “nunca curtido” a União Soviética e disse que essa aversão o levou a estudar Marx em profundidade. “Os caras estão fazendo aquilo na União Soviética em nome desses caras? Tem alguma coisa confusa acontecendo. Esse cara aqui não pode ter gerado uma experiência tão autoritária quanto aquela”, afirmou.
Detalhes do livro
A publicação reúne artigos escritos durante o mestrado em Economia e o doutorado em Filosofia do titular da Fazenda.
Planos políticos
Pressionado pelo PT a disputar o governo de São Paulo, Haddad disse preferir atuar na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas confirmou que deixará o Ministério da Fazenda.
Trajetória pessoal
O ministro também recordou que, até ingressar na Faculdade de Direito, não lia obras além das exigidas para o vestibular. Filho de um libanês que chegou ao país aos 24 anos como lavrador e de uma professora primária que se tornou dona de casa, Haddad contou ter desenvolvido o hábito de leitura apenas na universidade.
Com informações de Gazeta do Povo